A recuperação se espalha

A maré da recuperação já se espalhou pela maior parte da indústria. E o próximo grande sinal positivo deve ser o avanço da reforma da Previdência

O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2017 | 05h00

A maré da recuperação já se espalhou pela maior parte da indústria, como confirmam os dados de outubro, quando a produção foi 0,2% maior que em setembro. O volume produzido cresceu em 15 dos 24 ramos cobertos pela pesquisa mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento foi contabilizado em 61,9% das linhas de mercadorias, incluídos produtos tão variados quanto artigos farmacêuticos, tecidos, móveis e equipamentos mecânicos. Essa foi a mais ampla difusão de números positivos desde abril de 2013, quando o indicador chegou a 66,7%. Esse balanço reforça a imagem de uma economia em firme recuperação. Essa imagem foi claramente mostrada no balanço geral do período de julho a setembro, quando o Produto Interno Bruto (PIB) se expandiu 0,1%, acumulando três trimestres consecutivos de crescimento. O desempenho da indústria no começo do trimestre final consolida a expectativa de um fim de ano bem melhor que o de 2016 e – mais importante – de um ambiente de negócios bem mais animado em 2018.

Mais um sinal muito animador aparece quando se compara o volume produzido em outubro com o de um ano antes. A diferença positiva, de 5,3%, também foi a maior, nesse tipo de confronto, desde abril de 2013, quando se registrou a variação de 9,8%. Um dia a mais em outubro deste ano pode ter afetado a conta, mas é com certeza insuficiente para explicar uma diferença tão grande. No ano, o crescimento em relação aos dez meses correspondentes de 2016 chegou a 1,9%, uma clara confirmação da tendência de retomada. O crescimento em 12 meses bateu em 1,5%.

A expansão foi dinamizada, como já ocorreu em meses anteriores, pela fabricação de bens de capital, denominação genérica de máquinas e equipamentos. A produção cresceu 1,1% de setembro para outubro e ficou 14,9% maior que a de igual mês do ano anterior. O crescimento chegou a 5,6% no ano e a 6% em 12 meses.

Somada à importação dessa categoria de bens, a produção interna é mais uma indicação da retomada do investimento empresarial. O movimento é insuficiente, ainda, para reverter a redução acumulada em muitos anos e refletida na perda de poder de competição do Brasil. Mas é um sinal nada desprezível.

As compras de máquinas e equipamentos devem ser em parte atribuíveis à necessidade inadiável de reposição de material, ou mesmo de modernização, depois de muito tempo sem investimento produtivo. Ainda há muita capacidade ociosa, mas em muitas fábricas a troca de bens de capital deve ter-se tornado urgente.

Mas o reforço do capital fixo provavelmente reflete, além dessa necessidade, uma avaliação mais positiva de como a economia nacional deverá evoluir em 2018. O empresário mais animado deve ter começado a preparar-se para aproveitar sem perda de tempo a aceleração dos negócios.

A redução dos juros contribuiu, quase certamente, para animar empresários a imobilizar dinheiro em máquinas e equipamentos. Mas deve ter contribuído ainda mais para o aumento das compras de bens duráveis de consumo, como automóveis, eletrodomésticos e móveis. A produção de duráveis diminuiu 2% de setembro para outubro, mas ainda se manteve 17,6% maior que a de um ano antes. De janeiro a outubro o total produzido foi 12,4% superior ao dos mesmos dez meses de 2016. O crescimento acumulado em 12 meses bateu em 11,4%, a maior taxa de todos os segmentos listados na classificação do IBGE. A segunda maior, de 6%, foi a dos bens de capital.

O corte dos juros básicos foi iniciado em outubro de 2016, quando a taxa era de 14,25%. A redução foi possível, de acordo com os critérios do Banco Central (BC), por causa do firme recuo da inflação e da perspectiva de continuidade do ajuste das contas públicas, incluída a execução de reformas. A criação do teto de gastos foi uma primeira inovação importante. O próximo grande sinal positivo deve ser o avanço da reforma da Previdência. Uma frustração será um péssimo indício para o BC e para os investidores e financiadores internacionais e uma nova e grave ameaça ao crescimento econômico.

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