A renegociação de dívidas é maior do que sugerem os dados oficiais

Segundo o Banco Central, as reestruturações aumentaram 158% nos últimos dois anos e agora atingem R$ 37 bilhões. A inadimplência das pessoas jurídicas nas operações livres avançou 1,3 ponto porcentual em 12 meses, até outubro, atingindo 5,6%

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06 Dezembro 2016 | 03h11

A reestruturação de dívidas das empresas com bancos, fornecedores ou tomadores de papéis emitidos pelas companhias, como debêntures e bônus, já estaria na casa dos R$ 500 bilhões, segundo estimativa da consultoria Alvarez & Marsal reproduzida em reportagem do Estado de domingo. O problema já era conhecido e objeto de alerta de órgãos de pesquisa locais como a Cemec-Ibmec e de organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas tem dimensões crescentes e alcança empresas de todos os portes, muito além daquelas afetadas pela Operação Lava Jato que perderam negócios e crédito.

Estima-se que, das dívidas reestruturadas, R$ 180 bilhões têm origem em empresas em recuperação judicial e R$ 320 bilhões são renegociados diretamente com credores.

Nos últimos 18 meses, com a recessão e a perda de receitas, companhias chegaram a fazer três renegociações de dívidas, em alguns casos com vários credores, inclusive bancos. Estes estão criando áreas específicas para tratar do problema.

É grande a distância entre os números citados pela reportagem e os indicadores conhecidos. Segundo o Banco Central, as reestruturações aumentaram 158% nos últimos dois anos e agora atingem R$ 37 bilhões. A inadimplência das pessoas jurídicas nas operações livres avançou 1,3 ponto porcentual em 12 meses, até outubro, atingindo 5,6%.

Em abril, relatório do FMI sobre a vulnerabilidade de mais de 500 empresas da América Latina e do Caribe no período de 2005 a 2015 advertiu não apenas para os riscos do endividamento elevado para as companhias, como para os bancos credores. Houve, desde 2014, uma deterioração macroeconômica – com aumento da inadimplência em especial no Peru, na Colômbia e no Brasil, onde o problema é mais grave. “Os bancos do Brasil, por exemplo, devem fazer um aumento combinado de reservas e capital de 2,5% do PIB”, recomendou o FMI.

A melhor saída para a exaustão financeira das empresas é, naturalmente, a retomada do crescimento. Mas, se ela tardar e se os juros não forem mais razoáveis, será mais provável que bancos tenham prejuízos e tenham de se capitalizar.

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