A reputação da USP

Em ranking das instituições de ensino superior com maior reputação acadêmica, universidade caiu para a faixa das 91 a 100 melhores no ano passado

O Estado de S.Paulo

21 Junho 2017 | 03h07

Há dois anos, a Universidade de São Paulo (USP) estava classificada na faixa entre as 51 e 60 instituições de ensino superior com maior reputação acadêmica, no ranking da Times Higher Education. Na classificação correspondente ao ano passado e só agora divulgada a USP caiu para a faixa das 91 a 100 melhores. Na lista, as universidades são mencionadas por posição até o 50.º lugar, sendo, a partir daí, enquadradas em grupos de dez até o 100.º lugar.

A Times Higher Education vem promovendo levantamentos comparativos desde 2004. Além de entrevistar milhares de professores, cientistas e pesquisadores recrutados em 133 países e que atuam no mundo acadêmico há pelo menos 18 anos e analisar 50 milhões de menções em revistas científicas, a entidade leva em conta o orçamento de cada universidade, o nível de ensino, a qualidade do corpo docente, o número de títulos de doutor concedidos, a quantidade de pesquisas e o volume de receitas delas decorrente, citações de artigos em periódicos de prestígio mundial, a influência das pesquisas na inovação industrial e o grau de internacionalização. A Times Higher Education também faz pesquisas destinadas a avaliar o nível de internacionalização de cada universidade, sua produção acadêmica nas áreas de engenharia, tecnologia, artes, humanidades, física e ciências humanas. Promove, ainda, levantamentos sobre a relevância das pesquisas acadêmicas, a regularidade da publicação de artigos nas revistas científicas mais conceituadas e o nível de absorção, pelas empresas, das ideias e das tecnologias inovadoras desenvolvidas pelas universidades.

O topo da lista sempre foi ocupado por universidades americanas e inglesas. Desde a primeira edição das pesquisas da Times Higher Education, Harvard tem ficado em primeiro lugar. Em seguida, vêm o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade Stanford. No levantamento de 2016, os Estados Unidos foram o país com maior número de universidades incluídas – 52. As duas posições seguintes foram ocupadas pelas universidades inglesas de Cambridge e Oxford. E universidades renomadas da Bélgica, França, Holanda e até da própria Inglaterra perderam espaço para instituições asiáticas no ranking de reputação acadêmica. Ocupando a 11.ª posição, a Universidade de Tóquio ficou à frente da Universidade de Colúmbia. E, no 39.º lugar, a Universidade de Hong Kong suplantou o King’s College de Londres.

Apesar de oscilar nos levantamentos, a USP é a única universidade da América Latina que tem conseguido se manter entre as cem instituições com maior reputação acadêmica, na avaliação da Times Higher Education. Nos últimos anos, seus professores e pesquisadores aumentaram o número de publicações em revistas internacionais que dispõem de conselho de arbitragem. Contudo, a qualidade – medida pelo total de citações nos periódicos mais respeitados – ainda deixa a desejar. A instituição emprega um número baixo de doutores premiados por mérito acadêmico. Seu processo decisório é excessivamente burocratizado e seus dirigentes sofrem, reiteradamente, atos de vandalismo praticados por minorias de estudantes e servidores em nome de teses radicais e estapafúrdias. E, decorrentes do descompasso entre a queda do orçamento, causada pela crise econômica, e os gastos vultosos com a folha de pagamento de um número excessivo de servidores administrativos, os problemas financeiros também têm prejudicado os investimentos em ensino e pesquisa.

O desafio da USP é tentar evitar que esses problemas a levem a perder posições nos próximos rankings. Quando uma universidade está entre as cem melhores, ela atrai bons alunos e bons professores, o que resulta em novas fontes de financiamento para suas atividades. Mas, quando sai desse patamar, tem menos oportunidades de obter financiamentos, o que tende a prejudicar sua imagem.

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