A resistência dos bancos brasileiros à crise política

O sistema financeiro do Brasil vem resistindo bem tanto às crises globais, como a que decorreu da votação do Brexit na Grã-Bretanha, quanto à crise política deflagrada pela divulgação de gravações de conversas do presidente Michel Temer com o empresário Joesley Batista, da JBS

O Estado de S.Paulo

01 Junho 2017 | 03h02

O sistema financeiro do Brasil vem resistindo bem tanto às crises globais, como a que decorreu da votação do Brexit na Grã-Bretanha, quanto à crise política deflagrada pela divulgação de gravações de conversas do presidente Michel Temer com o empresário Joesley Batista, da JBS. Essa é a avaliação do vice-gerente-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), o brasileiro Luís Awazu Pereira da Silva, ex-diretor do Banco Central (BC).

O Brasil está se saindo bem dessas crises porque dispõe de fundamentos econômicos sólidos, evita com competência o risco sistêmico – as ameaças em cadeia sobre o sistema bancário – e preserva “a robustez do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”, afirmou Awazu em entrevista ao Broadcast, serviço noticioso em tempo real da Agência Estado.

Na opinião do ex-diretor do BC, o sistema financeiro do País “está passando com louvor por um teste de estresse real de tamanho e intensidade inéditos”. Os bancos brasileiros parecem estar em situação mais favorável do que a de países onde há sinais de avanço do protecionismo ou são vítimas de outros eventos não econômicos. “Não podemos ceder à tentação protecionista e populista que estamos observando”, advertiu, porém.

Awazu parece referir-se aos Estados Unidos sob o governo Trump e à Grã-Bretanha após a vitória do Brexit – ou seja, a saída do país da União Europeia.

Vários significados podem ser extraídos da entrevista do vice-gerente do BIS. Primeiro, há uma grande vantagem no fato de o Brasil ter um sistema bancário sólido, pois, de acordo com estudos do BIS, “são bancos fortes e bem capitalizados que melhoram a oferta segura de crédito”. Segundo, mesmo em meio a eventos não econômicos de grande impacto (a crise política e a Operação Lava Jato) e à queda da atividade, “não tem havido uma desestabilização do sistema financeiro” do País. Só em parte isso se deve “à atuação tempestiva das autoridades”.

A essa atuação se acrescenta o fato de que melhorou muito a qualidade da supervisão de sistemas bancários, como o europeu. Espécie de banco central dos bancos centrais, o BIS está no centro do sistema financeiro global. Sua atuação é determinante para a solidez dos bancos globais e decisiva para o crescimento de países desenvolvidos e emergentes.

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