A retomada chega ao transporte aéreo

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O Estado de S.Paulo

27 Abril 2017 | 03h02

O aumento da demanda por voos domésticos e internacionais, registrado em março pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), é um dos mais recentes indicadores de que a cada dia novos setores da economia brasileira voltam a respirar, pois o desempenho do transporte aéreo tem forte vinculação tanto com o ritmo dos negócios quanto com o turismo e as necessidades familiares.

Entre março de 2016 e março de 2017, a aviação doméstica cresceu 5,9%, primeiro avanço após 19 meses consecutivos de retração. No mesmo período, cresceu ainda mais (18,3%) a demanda de passageiros por voos internacionais.

No período considerado, as empresas consultadas pela Abear (Avianca, Azul, Gol e Latam) aumentaram em média em 3,98% a oferta doméstica e em 9,33% a oferta de lugares nos voos internacionais. Esses números não devem surpreender.

Como o aumento da demanda foi maior do que o da oferta, a taxa de ocupação dos voos domésticos aumentou de 77,37% para 79,07% e a dos voos internacionais, de 77,97% para 84,46%. A lei da oferta e da procura predominou num mercado de preços livres, com consequências boas para as empresas e ruins para os consumidores: as companhias aéreas elevaram o preço das passagens.

Depois de um ano (2016) em que a tarifa aérea doméstica média foi de R$ 349,14, inferior em 1,8% à de 2015, os preços das passagens voltaram a subir mais que a inflação. O IPCA-15 calculado pelo IBGE mostrou que as passagens aéreas aumentaram 15,32% em relação ao indicador de março.

As empresas também foram beneficiadas com a redução do consumo do querosene de aviação, o que permite supor que aumentaram sua eficiência operacional. No entanto, os ganhos de curto prazo não compensam os prejuízos acumulados pela maioria das companhias aéreas nos últimos anos e que se agravaram com a recessão econômica.

O que se destaca é o fato de que o aumento da demanda reflete a recuperação da atividade e do poder de compra dos consumidores. Ainda não se pode falar em recuperação, pois a base de comparação é baixa (em março de 2016, a demanda por voos domésticos havia caído 7,3% em relação a março de 2015). Mas as taxas de crescimento deste ano continuarão altas, prevê a Abear. Não será mero efeito estatístico.

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