A retomada do varejo perdeu ritmo

Com crescimento de 0,3%, em março, as vendas do varejo perderam força em relação a janeiro e fevereiro, quando haviam aumentado, respectivamente, 1,9% e 1,5% sobre os meses anteriores, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE. Confirmando outras pesquisas do IBGE sobre a indústria, a esperada recuperação econômica tende a ser mais lenta e dependente tanto do crédito como dos estímulos tributários.A comparação anual também indicou a desaceleração do varejo, cujo ritmo de aumento, de 3,8%, entre fevereiro de 2008 e de 2009, caiu para 1,8%, entre março de 2008 e de 2009.Nem todos os dados são negativos. O poder de compra da população de menor renda beneficiou o segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, que cresceu 1,4%, em relação a fevereiro, e 15,2%, em relação a março de 2008. Também houve boa alta, em relação a março de 2008, em equipamentos e materiais de escritório (+18%) e livros, jornais e papelaria (+10,5%).Mas o setor de supermercados, alimentos, bebidas e fumo, que havia crescido 2,4%, entre janeiro e fevereiro, teve crescimento zero entre fevereiro e março.Os dados mais favoráveis vieram do comércio varejista ampliado - classificação que inclui as vendas de veículos e motos, partes e peças, que cresceram 3,9%, entre fevereiro e março, e 17,1%, em relação a março de 2008, sob a influência da redução do IPI. Já as vendas do setor de materiais de construção aumentaram 3% em relação a fevereiro, mas caíram 4,1% em relação a março do ano passado.A PMC de abril deverá mostrar uma recuperação decorrente do aumento do consumo na Páscoa e dos incentivos fiscais à compra de geladeiras e materiais de construção. Em contrapartida, houve declínio de vendas de veículos, pressionando o varejo para baixo.Em resumo, o primeiro trimestre de 2009 caracterizou-se pela superação da crise de confiança do último trimestre de 2008, quando os consumidores adiaram ao máximo as compras. Nada aponta, agora, para queda do consumo - com inflação baixa, qualquer reposição de renda confere mais poder de compra aos empregados.Mas uma retomada consistente do varejo dependerá de bons indicadores macroeconômicos, sobretudo da maior oferta de emprego. E, ainda, de redução expressiva dos juros no crediário, em ritmo compatível com a diminuição da taxa Selic.

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