A saúde escolar

Até o final de agosto, a Prefeitura de São Paulo pretende implantar o programa Aprendendo com Saúde, inicialmente com 13 equipes, compostas de médicos, assistentes sociais e psicólogos, preparados para diagnosticar possíveis problemas no desenvolvimento físico, mental e social dos alunos da rede pública e que possam interferir no processo de aprendizado. As equipes permanecerão por uma semana em cada unidade escolar com o objetivo de avaliar 1,1 milhão de alunos, no período de um ano. A visita das equipes deverá se repetir a cada 12 meses, segundo o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider.Finalmente, decide-se fazer o que é básico para a melhoria do desempenho escolar e que já foi praticado em outros tempos, há mais de 50 anos, na rede pública de ensino do País, quando médicos faziam visitas de avaliação nas escolas, com regularidade, e até vacinação era feita nas salas de aula. Numa cidade onde a maioria dos alunos da rede pública vem das classes sociais mais carentes e, conseqüentemente, é mais afetada por problemas causados pela alimentação deficiente, falta de saneamento, carência de acesso aos serviços de saúde, etc., é uma prática que nunca deveria ter sido abandonada.Há dois anos, a Secretaria Municipal de Educação divulgou estudos de várias universidades que revelavam problemas de saúde nos alunos da rede. Na época, 57% das crianças apresentavam anemia; 70% tinham cáries; 30%, problemas auditivos; 37%, dermatoses; e 10,5%, obesidade. Os levantamentos também detectaram hábitos nocivos à saúde: 83% dos alunos do quarto ano consumiam bebidas alcoólicas; 49% das alunas e 27% dos alunos fumavam.Com base nesses dados, a Secretaria promoveu, entre 9 e 13 de maio de 2005, a 1ª Semana Promotora de Saúde nas escolas, visando à organização permanente da Escola Promotora de Saúde, com atividades de educação voltadas para a saúde, detecção de problemas e seu equacionamento. A intenção era fazer da unidade escolar um centro promotor de saúde, por meio de uma política intersecretarias.Dois anos se passaram, no entanto, para que as Secretarias de Educação e de Saúde voltassem a anunciar a assinatura da parceria no projeto, agora batizado de Aprendendo com Saúde. A secretária de Saúde, Maria Aparecida Orsini, garantiu que, ao identificar problemas durante a avaliação das crianças, a consulta será marcada ''''na mesma hora'''', seja com o dentista, oftalmologista ou fonoaudiólogo, com garantia de tratamento contínuo.No primeiro semestre deste ano, um programa piloto foi realizado em oito escolas do Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo, do qual participaram 2 mil alunos. Os principais problemas encontrados foram a obesidade, a desnutrição e alterações na fala e na audição.Nas escolas de São Paulo, repete-se a estatística comum ao restante do País: 15% dos estudantes enxergam mal e grande parcela apresenta baixa taxa de glicemia, que denuncia freqüente estado de jejum e, conseqüentemente, pouca capacidade de concentração. Crianças com esse tipo de problema encontram sérias dificuldades no desenvolvimento educacional e muitas são levadas à repetência e à evasão escolar.A falta de cuidado com a saúde dos alunos anula os investimentos realizados em educação e compromete o repasse de verbas federais para a cidade de São Paulo. Os péssimos resultados apresentados pela capital paulista em avaliações como a Prova Brasil e o Saeb, que são a base para o cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), podem ter estimulado a decisão da Prefeitura de retomar os cuidados com a saúde escolar, depois de décadas de descaso. Na última edição das avaliações, São Paulo apresentou Ideb de 4,1 numa escala de zero a dez e se colocou na nona posição entre as capitais.O Ideb foi criado para orientar o direcionamento de verbas da educação. O cumprimento das metas do indicador assegura mais verbas para os municípios. Portanto, cuidar da saúde dos escolares é a decisão mais sensata que a Prefeitura poderia ter tomado.

O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2031 | 00h00

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