A segurança pública no Estado

Criada há 16 anos para alimentar com informações estatísticas - extraídas de boletins de ocorrência - os serviços de inteligência das Polícias Civil e Militar e ajudar o governo estadual a definir as prioridades da política para o setor, a área de análise e planejamento da Secretaria da Segurança Pública constatou que a taxa de homicídios no Estado de São Paulo caiu para 9,52 casos por 100 mil habitantes, no primeiro trimestre de 2011. Há dez anos, quando a instalação do banco de dados da Secretaria foi concluída, o índice era de 35,3 casos por 100 mil habitantes.

, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2011 | 00h00

Esse recuo já era esperado pelas autoridades do setor, pois, nos últimos 16 anos, a tendência de queda dos homicídios foi interrompida apenas uma única vez, em 2009. No ano passado registraram-se no Estado de São Paulo 10,47 assassinatos por 100 mil habitantes. A Organização Mundial da Saúde classifica como "violência epidêmica" os índices superiores a 10 homicídios por 100 mil. Assim, desde o primeiro trimestre deste ano, o Estado de São Paulo já não é mais classificado como área de epidemia de homicídios.

A taxa de 9,52 casos pode ser considerada alta, quando comparada com a das grandes metrópoles da América ado Sul - em Buenos Aires e Santiago, por exemplo, os índices são de 5,8 e 1,8 homicídios por 100 mil habitantes, respectivamente. Mas, levando-se em conta que a média brasileira é de 25 homicídios por 100 mil habitantes, fica evidente que o governo paulista vem seguindo o caminho correto no combate à criminalidade, por meio de políticas que envolvem maior articulação do Estado com as prefeituras, profissionalização progressiva das guardas municipais, estratégias de prevenção integradas com movimentos sociais, investimento em serviços de inteligência e maior aplicação de tecnologia nas investigações.

No caso dos homicídios, houve três prioridades. A primeira foi a apreensão de armas de fogo - só no primeiro trimestre foram apreendidas 3.129 (em média, a Polícia Militar apreende mil armas por mês na capital). A segunda prioridade foi o combate ao narcotráfico; graças aos bloqueios policiais, foram apreendidos 1.328 quilos de entorpecentes, nos três primeiros meses de 2011. A terceira prioridade foi o combate ao consumo excessivo de álcool, especialmente nas cidades mais pobres da região metropolitana. Além disso, as Polícias Civil e Militar efetuaram 31.787 prisões - 1.802 a mais do que no primeiro trimestre do ano passado.

Mesmo assim, o problema da violência criminal está longe de estar equacionado no Estado. Em 2010, a queda da criminalidade com relação a 2009 foi detectada em praticamente todos os tipos de crime - de roubos a latrocínios, além de sequestros e de roubo a bancos, roubo de cargas, roubo de veículos e de furtos (a exceção foram os homicídios culposos por acidente de trânsito). No primeiro trimestre de 2011, porém, a Secretaria da Segurança Pública constatou crescimento do número de roubo de veículos (8,5%), furto de veículos (7,7%) e roubo seguido de morte (2,7%) em todo o Estado.

Na capital, os bairros centrais lideram os índices de crime contra o patrimônio, como furtos e roubos, enquanto as áreas mais pobres da periferia lideram os índices de crimes contra a vida, como homicídios e latrocínios. Os bairros da zona leste são os campeões em roubo de veículos e os da zona oeste lideram o ranking de furto de automóveis. Para a Secretaria da Segurança, esses dois crimes tendem a cair à medida que a Prefeitura instalar dispositivos de leitura ótica nas câmaras de controle do trânsito, o que dará à polícia informações online sobre carros furtados e roubados. O interior registrou queda nos crimes contra a vida - com exceção da região de Piracicaba, que envolve cidades ricas e que, por contar com grande número de universidades, tem atraído o narcotráfico.

Apesar da significativa queda na taxa de homicídios, o balanço da criminalidade no primeiro semestre do ano mostra que ainda há muito o que fazer para melhorar a segurança pública no Estado de São Paulo.

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