A semana jogou um pouco de água fria no otimismo

Apesar de a última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic não ter constituído surpresa para ninguém no mercado, conforme já comentamos aqui na última sexta-feira, 30, o fato é que, no dia seguinte, pessoas físicas e empresas já denotavam aumento das taxas de juros nos empréstimos solicitados.

, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2010 | 00h00

Isso a despeito da reiterada afirmação das autoridades monetárias de que o reflexo das alterações da Selic no mercado financeiro (e na economia em geral) se dá em prazos que podem variar de seis a nove meses.

Alguns fatores podem ter contribuído para antecipar a reação das instituições financeiras, no sentido de aumentarem suas taxas, na esteira da decisão do Copom.

Um deles é que a própria sensação de segurança conquistada com o longo período de estabilidade da Selic teria levado ao raciocínio de que, se houve "virada", é porque as autoridades descobriram problemas que o mercado ainda desconhece.

Um outro é que isso indicaria, afinal, que começou uma escalada cujos degraus podem ser maiores do que as autoridades gostariam de admitir.

Em conjunto com essa última avaliação, deve ter entrado, sem dúvida, a suspeita de que a tendência de alta da inflação - que, apesar das declarações tranquilizadoras do governo, está se mostrando algo ominosa - pode ganhar maior ímpeto nos próximos meses. E como já várias vezes o BC tem ressaltado, sua principal função é prever com antecipação suficiente os movimentos da inflação e, nos últimos três meses, ela tem exibido movimentação que justifica uma ação preventiva mais intensa.

Ainda é cedo para julgar, mas temos de admitir que a queda de 1% no Índice de Confiança da Indústria em abril, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas na sexta-feira, retratando uma diminuição do otimismo dos empresários industriais de todos os setores, com exceção do de materiais de construção, é outro dos efeitos que se poderiam esperar, não exatamente da decisão de quarta-feira do Copom, mas da "nuvem" - como se diria em informática - de informações desfavoráveis que precederam e cercaram uma decisão que, indiretamente, as confirma.

Para completar, em nada contribuíram para aliviar as expectativas os dados das contas fiscais - do mês de março, ainda, mas só agora divulgados - de aumento substancial do déficit nominal e do pagamento de juros nominais, que registraram um déficit primário de R$ 216 milhões que há muito tempo não ocorria no histórico desse levantamento.

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