A sobrevivência das empresas

O empreendedorismo no Brasil não é tão vigoroso como se desejaria, mas o crescimento econômico com a inflação sob controle tem estimulado o surgimento de um maior número de empresas com melhores possibilidades de êxito. Segundo o último levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), a taxa de mortalidade dessas empresas, no primeiro ano de funcionamento, é de 27%, taxa ainda elevada, mas que mostra uma melhora em relação a 2000, quando era de 35%. Há também um nítido avanço no nível de escolaridade dos novos empreendedores e de frequência a cursos especializados em administração e planejamento empresarial, oferecidos pelo próprio Sebrae ou por estabelecimentos de ensino.

, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

Segundo a pesquisa, 83% dos que abriram novas empresas em 2007 completaram, pelo menos, o ensino médio. Em 2000, eles eram 70%. Também aumentou a porcentagem daqueles que se tornaram empreendedores para aproveitar oportunidades de negócios surgidas no mercado, que é hoje de 78%, em comparação com 60% no início da década. Muitos foram levados a trabalhar por conta própria por necessidade. Essa parcela tende a decrescer, já tendo sido comprovado que os empreendedores que se lançam no mercado com vocação empresarial têm mais chances de prosperar.

Com o passar do tempo, aumenta a porcentagem das novas empresas que sucumbem por falta de clientes, insuficiência de capital, desentendimento entre os sócios, problemas administrativos, etc. Mas estas também vêm diminuindo. No período de quatro anos a contar de 2004, 50% das novas empresas do Estado de São Paulo que sobreviveram ao primeiro ano fecharam. Em cinco anos, as atividades foram encerradas em 58%. Mas, em 2000, quando a pesquisa começou, a taxa de mortalidade das empresas, após cinco anos, era de 71%.

Durante o período de retração econômica, entre o último trimestre de 2008 e o primeiro semestre de 2009, caiu o número de aberturas de empresas. Mas com a reaceleração da economia houve um aumento significativo de novos empreendedores. Isso se reflete na melhoria dos níveis de emprego. A porcentagem varia de uma região para outra, mas, no cômputo geral, verifica-se pelos últimos dados do Ministério do Trabalho que as micro e pequenas empresas foram responsáveis por 71,3% do saldo líquido de empregos gerados em maio deste ano, confirmando a tendência dos meses anteriores. A maior parte (48,0%) das vagas foi oferecida por empreendimentos com até quatro trabalhadores, vindo em seguida os que empregam entre 20 e 99 funcionários.

Apesar da burocracia para abrir uma empresa no Brasil e do peso dos impostos, pouco aliviado pelo uso do Simples, das dificuldades para obtenção de crédito e de formar uma clientela, é grande o número de jovens que se sentem estimulados a empreender. A pesquisa revelou que a idade média dos novos empreendedores é de 37 anos. O maior porcentual (49%) está na faixa de 25 a 39 anos, seguido pela faixa de 40 a 49 anos (24%). Não são raros os casos de pessoas que, pela experiência adquirida no trabalho para terceiros, localizaram nichos de mercado que as animaram a montar o seu próprio negócio, passando de empregados a empregadores.

Isso se explica principalmente porque no começo de sua vida profissional as pessoas têm mais disposição para disputar espaço no mercado e são mais abertas a iniciativas inovadoras, especialmente na área de novas tecnologias, moda e turismo. O tema foi pesquisado pelo Sebrae em 4 mil micro e pequenas empresas, tendo sido apurado que 43% delas são inovadoras em termos de produtos, processos e mercados.

São hoje muito poucos os empresários que constituem empresas sem ter capacidade para fazer uma análise de mercado ou um bom levantamento de custos. O êxito não depende só de conhecimento técnico ou administrativo. Pelo que se constata, a melhor formação educacional vem fortalecendo a vontade de empreender no Brasil.

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