A TI nas exportações

Segundo estudo divulgado pela ONU o Brasil não conseguiu, nos últimos dez anos, se inserir como exportador no mercado de Tecnologia da Informação (TI), como fizeram outros países emergentes. Levantamento que consta do estudo, relativo a 2009, revela que o Brasil importou mais de US$ 20,5 bilhões em produtos relacionados à Tecnologia da Informação, enquanto suas exportações nesse segmento foram de apenas US$ 3,6 bilhões, uma parcela insignificante das exportações mundiais nessa área, estimadas em US$ 1,9 trilhão.

, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2010 | 00h00

Há, realmente, segmentos em que o Brasil é sabidamente muito carente, como o de semicondutores, cujas importações somaram US$ 2,1 bilhões no primeiro semestre deste ano. Contudo, dadas as dimensões de seu mercado interno, o Brasil não pode ser comparado à Costa Rica, sede de uma das fábricas da Intel, fonte de suas exportações, e nem mesmo com o México, dada a força das "maquiladoras" em suas vendas externas. Quanto à China, sua agressividade não poderia deixar de se fazer sentir no mercado brasileiro, tendo as importações de produtos eletroeletrônicos de procedência chinesa aumentado 77% no primeiro semestre de 2010 em relação a igual período do ano anterior. A China também avança em mercados em que os manufaturados brasileiros já têm uma presença significativa, como os da América Latina.

O relatório pode dar a impressão errônea de que o Brasil esteja sofrendo um atraso dramático em seu desenvolvimento industrial. Na realidade, é o mercado interno que está impulsionando a indústria. Há fatores que notoriamente inibem as exportações brasileiras de produtos manufaturados, como a defasagem do câmbio, medidas protecionistas e concorrência predatória de outros países, etc. Mas isso não tem impedido diversos setores industriais de crescer e ganhar em competitividade.

Dados da Abinee mostram que o faturamento de bens de informática produzidos por indústrias instaladas no País cresceu 15% no primeiro semestre deste ano em relação aos primeiros seis meses de 2009. O mesmo ocorreu nas áreas de automação industrial (mais 9%), de componentes (mais 27%), de equipamentos industriais (mais 29%) e de aparelhos eletrodomésticos (mais 42%). Houve recuo com relação a equipamentos de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica (GTD) e de telecomunicações, atribuído à postergação dos investimentos em infraestrutura em 2009, que se refletiu na queda do faturamento no primeiro semestre de 2010.

Constata-se, porém, que o setor eletroeletrônico tem atendido à demanda interna e tem sido capaz de se defender da concorrência externa. As exportações de aparelhos celulares pelo Brasil diminuíram 21%, no período janeiro-agosto, mas ainda lideram as vendas externas do setor, com uma receita de US$ 716 milhões. No acumulado, o total das exportações do setor eletroeletrônico teve um crescimento de 6% em relação a igual período do ano anterior.

Assim, embora a indústria eletroeletrônica esteja em expansão, vendendo mais e empregando mais, se sua situação for avaliada pelo ângulo do mercado externo, nota-se uma grande retração. Segundo a Abinee, as vendas externas brasileiras de bens de informática caíram 36,8%, as de equipamentos para GTD recuaram 17,63% e as de equipamentos para telecomunicações, 11,3%.

O que o estudo da ONU deixou de levar em consideração é que as importações vêm batendo recordes, graças à forte demanda interna. Como em outros setores industriais, a taxa de expansão das exportações tem sido bastante inferior à das importações. Até agosto, a balança comercial do setor eletroeletrônico acusa um déficit de US$ 17,41 bilhões, 73% acima do verificado em igual período de 2009. Essa taxa não chega a ser surpreendente no Brasil, alvo do esforço exportador de países que ainda não saíram da crise econômica, da China e de outros asiáticos. O estudo da ONU é útil como alerta para a condução da política de comércio exterior.

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