A turma do quanto pior, melhor

A manifestação popular promovida no domingo em São Paulo pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) a pretexto de protestar contra a intenção do governo provisório de “acabar” com o programa Minha Casa, Minha Vida, e que incluiu uma tentativa frustrada de “ocupar” o espaço público em torno da residência de Michel Temer no Alto de Pinheiros, é um indício grave da ameaça que representa para a democracia a despudorada manipulação de sentimentos legítimos de insatisfação popular por parte de lideranças sectárias que não conseguem disfarçar sua intenção de apostar no quanto pior, melhor.

O Estado de S. Paulo

24 Maio 2016 | 03h00

“Acabar com a política social que representa a esperança das pessoas de terem moradia é jogar gasolina no fogo”, discursou, no Largo da Batata, o notório agitador Guilherme Boulos, líder do MTST, que incendiou os cerca de 5 mil manifestantes com ataques duros, e mentirosos, ao governo interino: “A primeira vítima desse governo, que nós não reconhecemos como legítimo, é o Minha Casa, Minha Vida”. Numa escalada de violência, Boulos incitou os manifestantes contra os moradores do bairro de Pinheiros – bairro de classe média e média alta –, a quem se referiu como “batedores de panelas”, ameaçando-os: “Acostumem-se, vocês terão novos vizinhos”. Em seguida, atendendo à ordem de protestar diante da residência de Temer, a cerca de três quilômetros de distância, os manifestantes picharam no caminho várias residências: “golpista”, “fora Temer”, etc.

A falta de escrúpulos de lideranças sectárias como a do MTST, que difunde mentiras e estimula o conflito social para exacerbar os ânimos de uma população que já vinha sofrendo com a irresponsabilidade do governo corrupto e inepto do PT, revela a extrema gravidade do momento político e a enorme responsabilidade que pesa sobre os ombros do governo Temer, que precisa dar respostas rápidas aos brasileiros, na forma de medidas capazes de iniciar o processo de saneamento das contas públicas como preliminar para a retomada do crescimento econômico.

Está clara a estratégia da esquerda sectária – com a qual o PT se alinha – de atribuir à intenção de prejudicar os mais pobres as medidas de condução austera dos recursos públicos que necessariamente terão que ser adotadas. Da mesma forma, nenhum pretexto será ignorado para a promoção de manifestações contra a “ilegitimidade” do governo Temer. Não que interesse a líderes “populares” o retorno à Presidência de Dilma Rousseff, cuja condução “frouxa” da economia em benefício dos interesses da “direita” foi por eles sempre criticada.

Os ideais de “justiça social” pretextados pelo MTST, o sentimento de ódio social e a irracionalidade transparente no comportamento do Movimento dos Sem-Terra (MST), também conhecido como “exército do Stédile”, bem como a subserviência ao governo afastado por parte da União Nacional dos Estudantes (UNE) e o neopeleguismo da Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT, são bandeiras de organizações e bandos cooptados pelo lulopetismo por meio de generosa distribuição de recursos públicos para conspirar pelo malogro do governo provisório.

Está também engajada nessa estratégia a triste figura de Dilma Rousseff, claramente entregue à própria sorte por Lula e pelo PT, que preocupados com a própria – e duvidosa – sobrevivência política não estão dispostos a carregar o peso morto de quem foi vigorosamente rejeitada pela maioria do povo brasileiro. Dilma recusa-se a aceitar que se transformou – como ela própria previra – em “carta fora do baralho”.

O espírito dessa associação de forças dedicada a frustrar as expectativas dos brasileiros em relação ao desempenho do governo provisório – que está longe de corresponder aos sonhos da maioria, mas é o governo constitucionalmente constituído – se traduz pela falta de civilidade e de respeito às instituições nacionais demonstrada no domingo pelos 150 baderneiros do MTST que tentaram sitiar a residência de Michel Temer. De quem está por detrás desse tipo de atentado à ordem democrática só se pode esperar, sempre, o pior.

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