A última proposta de Haddad

Relegando para segundo plano os imensos problemas da maior cidade do País, o prefeito Fernando Haddad iniciou a campanha pela reeleição com o que sabe fazer melhor: demagogia

O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2016 | 03h05

Relegando para segundo plano os imensos problemas da maior cidade do País, e que foram agravados pela inépcia de sua administração, o prefeito Fernando Haddad iniciou a campanha pela reeleição com o que sabe fazer melhor: demagogia. Na campanha eleitoral de 2012, ele prometeu criar o “Arco do Futuro”, que foi vendido por seus marqueteiros políticos como um ambicioso projeto de reforma urbana que permitiria a São Paulo articular em “rede” suas principais atividades econômicas. Agora, Haddad está propondo a criação de um Conselho Municipal de Comunicação e de uma televisão e uma rádio públicas mantidas pela Prefeitura.

Ao justificar a proposta, apresentada no ato de registro de sua candidatura na Justiça Eleitoral, Haddad alega que, na democracia, o papel do governo é “difundir novas formas de expressão e de linguagem, além de novos meios, e ajudar a romper bloqueios de comunicação”. O “controle público, social e popular” das atividades jornalísticas e a democratização dos meios de comunicação comerciais, que não passam de eufemismos para justificar a intenção de controlar jornais, revistas, rádios e tevês, sempre foram uma das principais bandeiras do PT. O saldo dos 13 anos e meio de lulopetismo na área evidencia a aversão dos petistas à livre imprensa e a obsessão pela criação de rádios e televisões “públicas”, com o indisfarçável objetivo de viabilizar seu projeto de manutenção no poder a qualquer custo.

Entre as conferências nacionais convocadas pelos governos dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, as que trataram de temas como educação, direitos humanos e comunicação foram marcadas por críticas aos princípios da livre-iniciativa e da liberdade de expressão, qualificados como “burgueses”, e pela defesa reiterada de conselhos corporativos encarregados de fiscalizar as obrigações fiscais e trabalhistas das empresas de comunicação, de “tribunais de mídia” para coibir “supostos desrespeitos” a movimentos sociais, da imposição de cotas para produções “independentes” na programação das televisões e da aprovação de uma Lei de Imprensa destinada a assegurar a “pluralidade de versões em reportagens controversas”.

Em meio a um sem-número de lugares-comuns politicamente corretos, como os que Haddad utilizou para justificar suas propostas, os participantes das conferências nacionais patrocinadas pelo lulopetismo também reivindicaram a expansão do sistema público de comunicação. Segundo eles, por oferecer programações não atreladas a interesses comerciais de patrocinadores, as rádios e televisões públicas serviriam à sociedade com maior independência do que as emissoras privadas. Seriam o contraponto do “monopólio” da radiodifusão comercial.

O maior símbolo dessa expansão foi a criação, em 2007, por ordem do então presidente Lula, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Resultante da fusão da estatal Radiobrás com a TV Educativa, que tinha canais no Rio de Janeiro e no Maranhão e levou um ano para colocar seu sinal aberto em São Paulo, a EBC só é pública no seu estatuto e nas suas fontes de financiamento. No mais, ela foi aparelhada politicamente, tornando-se um cabide de empregos para jornalistas apaniguados do PT e com uma programação a serviço do partido e de seus aliados.

Só em seu primeiro ano de funcionamento a EBC gastou R$ 350 milhões, arcados com dinheiro dos contribuintes. Desde então, apesar de ter mais de 1,4 mil funcionários, raras vezes sua programação atingiu a marca de 1% da audiência.

Ao propor a criação de um conselho de comunicação para São Paulo e a criação de uma TV e de uma rádio públicas municipais, sob a justificativa de que elas ajudarão a “romper bloqueios de comunicação e difundir novas formas de expressão”, retomando assim os argumentos das conferências nacionais lulopetistas, Haddad não está olhando para o futuro, mas para o passado. Também não está sendo original, uma vez que o que propõe em escala local nada mais é do que a repetição do que foi um grande fracasso em escala nacional.

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