A volta do crédito imobiliário

Atingiu R$ 2,975 bilhões, em junho, o volume de empréstimos para a construção e a compra de casa própria com recursos das cadernetas de poupança, superando em 24,6% os financiamentos de maio e em 40% a média mensal de R$ 2,1 bilhões do período janeiro a maio. Com captação líquida de R$ 6,8 bilhões, no primeiro semestre, os agentes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) ajudaram a construção civil a desovar os estoques acumulados na crise.A inadimplência - medida por atrasos superiores a três meses - reduziu-se a 2,96%, em junho de 2009, contra 3,07%, em 2008, e 11,2%, em 2003, o pior resultado da década. Comprova-se, assim, a eficiência do regime da alienação fiduciária de bem imóvel, que na maior parte das operações substituiu a hipoteca, oferecendo mais garantia aos credores e estimulando a oferta de crédito. Os mutuários estão tomando mais recursos: em média, os financiamentos do SBPE corresponderam, em 2009, a 59,9% do valor do imóvel, comparado a 58,6%, em 2008, e a 45,9%, em 2003. Há aí um sinal da confiança na manutenção do emprego e na preservação da renda, mas, além disso, as prestações são menores, pois aumentou o prazo do crédito habitacional, que chega agora a 30 anos, e os juros dos empréstimos estão em queda."O índice de confiança do consumidor voltou a níveis pré-crise ou acima do pré-crise", afirmou o economista-chefe do sindicato da habitação (Secovi), Celso Petrucci. O crédito abundante deverá estimular, neste semestre, a retomada dos lançamentos, prevista pelo Secovi. No primeiro semestre, as vendas de imóveis novos, na cidade de São Paulo, foram de apenas 14.368 unidades, 25,3% inferiores às do mesmo período do ano passado. A projeção dos técnicos do sindicato foi agora corrigida para mais: em vez de voltar ao nível de 2007, como era previsto, o mais provável será repetir os dados favoráveis de 2008, quando foram vendidos 32 mil imóveis.Em 2009, o SBPE deverá repetir 2008, quando houve empréstimos de R$ 30 bilhões, que financiaram cerca de 300 mil moradias em todo o País. Entre junho e agosto de 2008, o volume mensal médio de operações foi de R$ 3,36 bilhões. Em agosto, o melhor mês, empréstimos de R$ 3,48 bilhões financiaram 34,7 mil operações. Comparando junho de 2009 com junho de 2008, registra-se queda de 6,78%, mas, entre os primeiros semestres dos dois anos, houve alta de 5,1%. Somando-se os recursos de cadernetas e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a oferta de crédito, em 2008, foi de R$ 40 bilhões e deverá atingir, neste ano, R$ 45 bilhões, com o aumento do orçamento do Fundo de R$ 10 bilhões para R$ 15 bilhões.Dos recursos do SBPE, 54% destinaram-se, em 2008, a financiar incorporações e 46% foram para mutuários finais. Mas, no primeiro semestre deste ano, as pessoas físicas tomaram 59% dos recursos. Empresários da construção reclamam da falta de crédito para os lançamentos, enfatizou o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário, Rogério Chor.Mas o setor contará com os recursos das cadernetas e do FGTS e com os créditos subsidiados do Orçamento Federal, estimulando a demanda. O setor da construção civil será impulsionado pelas famílias da classe C, acredita Chor. A classe C, hoje, responde por 15% das compras de imóveis nos lançamentos e deverá responder por 40%, no ano que vem, e por 60%, até 2011. "É a primeira vez que isto acontece na construção civil."O programa de habitação social do governo está levando as empresas de construção civil a fazer projetos para as famílias de renda baixa ou média baixa. Há mais de mil propostas de empreendimentos para a construção de mais de 200 mil unidades no valor de até R$ 130 mil cada uma, para famílias com renda de até 10 salários mínimos. Mas ainda faltam terrenos e bons projetos. Além disso, ainda há muitos entraves burocráticos nas áreas federal, estadual e municipal. De qualquer forma, os prognósticos são favoráveis para a construção civil, que terá importante papel na superação da crise.

, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

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