Acentua-se a queda do PIB europeu

A queda de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia, no primeiro trimestre, em relação ao quarto trimestre de 2008, e de 4,6% em relação ao primeiro trimestre de 2008 - as maiores quedas desde a formação do bloco, segundo o escritório de estatísticas Eurostat - confirmou as previsões e análises do Fundo Monetário Internacional (FMI), que apontavam para uma recessão profunda na Europa, com possibilidades de retomada apenas no ano que vem.A Alemanha, cuja economia corresponde a 1/3 da do bloco, liderou o declínio, com queda de 3,8% sobre o trimestre anterior e de 6,1%, na comparação com o primeiro trimestre de 2008. Nos mesmos períodos, o PIB da França declinou 1,2% e 3,2%; o da Itália, 2,4% e 5,9%; e o da Espanha, 1,8% e 2,9% - neste caso, a mais grave recessão da história do país. Na Grã-Bretanha, que não faz parte do bloco do euro, as quedas foram de 1,9% e de 4,1%.A recessão europeia é ainda mais profunda que a dos Estados Unidos, cujo PIB caiu 1,6%, no primeiro trimestre do ano, e 2,6%, em relação ao mesmo período do ano passado.O comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, Joaquín Almunia, notou "alguns sinais positivos" na economia, mas também que "a retomada do crescimento ainda não começou", segundo a agência de notícias espanhola EFE.Com um PIB de cerca de 30% do PIB mundial, a economia europeia tem grande influência sobre o ritmo das atividades internacionais, inclusive no Brasil. Por exemplo, no primeiro quadrimestre deste ano o Brasil destinou 23,1% de suas exportações para os países da União Europeia, porcentual inferior aos 25,1% de 2008.Em contraste com o bloco europeu, a economia brasileira está em melhor situação. O FMI projeta para a União Europeia uma queda do PIB de 4% - e ainda maior, de 4,2%, para os países da Zona do Euro -, muito mais do que o 1,3% de recuo projetado para o Brasil. Por isso, quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sugere que a taxa de variação do PIB do País ficará entre zero e 2%, neste ano (admitindo, pela primeira vez, a hipótese do crescimento nulo), não está sendo pessimista, só confirma que o Brasil será menos atingido. Mas o agravamento da recessão europeia dificulta a recuperação. Alemanha, Itália, Países Baixos, Reino Unido e Espanha figuram entre os maiores importadores de autos, aviões, motores, suco de laranja, etanol, calçados, café e soja do País.

, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

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