Açúcar e álcool afetam nível de emprego

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) constatou, em abril, ligeiro aumento do emprego, de 0,8%, em relação a março. Mas, a exemplo do que se verificou no bimestre anterior, quando o emprego,em março, cresceu 0,31% sobre fevereiro, o que houve foi um fenômeno localizado - o crescimento da oferta de vagas no setor de açúcar e álcool, enquanto os demais segmentos continuavam a cortar vagas.As regiões de Jaú, Sertãozinho e Rio Claro, com aumentos do emprego entre 6,1% e 21,2%, distorceram a média para cima. Só a indústria de produtos alimentares de Rio Claro aumentou a oferta de vagas em 66% e a de Jaú, em 60%.Justifica-se o interesse pela evolução do emprego industrial em São Paulo, que representa cerca de 40% da produção industrial do País e antecipa as tendências, para melhor ou pior.Como a indústria brasileira mostrou comportamento desfavorável em 2009, segundo o IBGE, uma mudança de direção, em São Paulo, permitiria algum otimismo com relação ao segundo semestre. Mas é cedo para prever a retomada firme do emprego, ainda que analistas entendam que se chegou ao fundo do poço.Na série com ajuste sazonal, houve queda do emprego de 1,09% no mês passado, o pior abril desde 2006. E, na comparação com os mesmos meses de 2008, o emprego industrial manteve a tendência de queda, de 2,2%, em janeiro, para 4,6%, em fevereiro; 5,3%, em março, e 6,8%, em abril.A declaração menos pessimista foi a do diretor da Fiesp Paulo Francini, para quem a maior parte dos cortes já foi feita. "Estamos agora com uma destruição residual de postos de trabalho, em função da crise, embora possamos acreditar em uma estabilidade já em maio."Dos 22 subsetores pesquisados, 17 fizeram cortes, entre o mínimo de 0,1%, em equipamentos de transporte, com a exceção de veículos automotores, e o máximo de 4,3%, em produtos de madeira. O setor de máquinas e equipamentos, indicativo do nível de investimentos, mostrou queda de 1,8% no emprego.Em apenas dois segmentos houve forte elevação do emprego: coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis (+15%) e produtos alimentícios (+10,8%). Açúcar e álcool geraram 28.207 vagas, enquanto os demais cortaram 9.207 postos, deixando um saldo positivo de 19 mil postos. Situações semelhantes já haviam ocorrido em 2007 e 2008, mas apenas neste ano a média do emprego industrial paulista ficou afetada.

, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

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