Ajuda aos fornecedores

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, anunciou a constituição de fundos para financiar as empresas do setor e a antecipação de recursos aos fornecedores de bens e serviços para a estatal. Para a Petrobrás, isto significa a certeza de receber as encomendas e, para os fornecedores, assegura o capital de giro e a capacidade financeira necessários para enfrentar a crise.Com um orçamento de investimentos de US$ 174 bilhões para o quinquênio 2009-2013, o plano estratégico de negócios prevê que as compras da Petrobrás no mercado local serão de US$ 100,9 bilhões, embora a estatal anuncie que pretende renegociar contratos e reduzir os preços que foram orçados quando a conjuntura era de euforia, com o petróleo negociado a até US$ 147 o barril.Dezenas de milhares de produtos são fornecidos anualmente à Petrobrás, tais como motores, caldeiras, compressores, condensadores, geradores, aparelhos de refrigeração, guinchos, válvulas, dutos, material elétrico e "árvores de natal" (para prospecção marítima). Milhares de fornecedores, de todo o País, sobrevivem graças às encomendas da estatal. Uma das subsidiárias da Petrobrás, a Transpetro, pretende comprar 49 navios, dos quais 27 numa primeira fase, com capacidade bruta de 2,7 milhões de toneladas e um índice de nacionalização de 65%.Para os bens e serviços já fornecidos, a estatal pretende reduzir de 30 para 5 a 10 dias o prazo de pagamento dos fornecedores. Assim, os fornecedores precisarão de menos crédito bancário. O diretor-financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, calcula que com este sistema a Petrobrás vai antecipar R$ 300 milhões mensais aos fornecedores. Cada qual teria direito de receber, antecipadamente, um máximo de R$ 3 milhões. Antes disso, ao contratar as vendas, os fornecedores poderão ceder seus direitos a fundos de direito creditório (FDICs). Esta é outra maneira de antecipar recursos, a custos moderados, que a Petrobrás estimou, em fins de 2008, entre 1,2% e 1,8% ao mês - ou seja, muito inferiores aos custos do crédito bancário.Outro mecanismo a ser criado pela Petrobrás será um Fundo de Investimentos em Participações (FIP), para atrair investidores dispostos a ter participação no capital dos fornecedores.Com essas iniciativas, a Petrobrás assumirá o papel de supridora de capital para os fornecedores, ao mesmo tempo que ela também necessita de vultosos recursos para financiar seus investimentos.Para isto, segundo Gabrielli, a Petrobrás pretende levantar recursos nos países compradores de petróleo. A estatal está discutindo com instituições financeiras desses países o acesso a linhas de crédito, em troca da garantia de fornecimento futuro. "Estamos avaliando aqueles que consideram estratégica a possibilidade de fornecimento de petróleo no longo prazo", disse Gabrielli, explicando: "Não estamos fazendo uma venda antecipada. Estamos discutindo a possibilidade de garantir fornecimento, dadas as condições futuras de mercado."A política da Petrobrás tem dois propósitos claros. O primeiro é assegurar o financiamento dos seus investimentos, levando em conta que, tão cedo, o mercado de crédito internacional não voltará a operar com a liberalidade de até setembro do ano passado. O segundo é o de evitar que fornecedores tecnicamente bem qualificados sucumbam às dificuldades. Os problemas futuros serão menores em caso de uma recuperação dos preços do petróleo, prognosticada, segunda-feira, pelo diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Nobyuro Tanaka. Ele previu que neste ano já haverá um aumento da cotação do petróleo, em decorrência da redução da oferta dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Além disso, acredita no restabelecimento da demanda no ano que vem, depois do tombo deste ano - quando está prevista a maior retração da demanda desde 1982.A manutenção dos planos de investimento da Petrobrás é uma aposta na recuperação do mercado internacional de petróleo.

, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

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