Alguma desaceleração no setor automobilístico

O ritmo de produção e vendas de veículos desacelerou-se em janeiro, segundo a Anfavea - numa acomodação após a euforia do mercado, em 2010, sustentada por crédito fácil, compradores otimistas e preços estáveis ou cadentes, dada a competição dos importados.

, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2011 | 00h00

Em janeiro, foram produzidos 261,8 mil veículos, 6,4% mais do que no mesmo período de 2010. Em 12 meses, até janeiro, foram 3,66 milhões, 13% mais do que nos 12 meses anteriores - um recorde histórico. Com as importações, o número de licenciamentos aumentou 14,8% entre janeiro de 2010 e janeiro de 2011, e, em 12 meses, 12,3%. O mercado brasileiro escancarou-se para os importados, que de 5% dos licenciamentos, em 2005, passaram a 13%, em 2008; a 20%, em 2010; e a 23,5%, no mês passado.

A Carta da Anfavea 297, de fevereiro, observa que "o vigor do mercado vai sendo crescentemente absorvido por produtos de fora do País, sem a contrapartida da ampliação adequada de nossas possibilidades de exportação, o que geraria aqui mais investimentos, produção e emprego". Isso é verdade, mas só em parte.

O arrefecimento do ritmo se deve, primeiro, à alta dos juros no CDC. Levantamento do Banco Central, divulgado pelo Jornal da Tarde (8/2, 1B), indicou que, numa mostra de 11 instituições, os juros mensais passaram de 0,85% a 1,80%, na semana de 19 a 25 de janeiro de 2010, para 1,47% a 1,98%, nos mesmos dias de 2011. A prestação de um automóvel de R$ 35 mil, vendido sem entrada no prazo de 48 meses, aumentou R$ 84,09, entre 2010 e 2011, de R$ 1.001,97 para R$ 1.086,06.

A diferença corresponde a 5,6% do salário médio no Brasil, medido pelo IBGE. Além de mais juros, diminuíram os prazos médios dos financiamentos e o efeito foi mais sentido no segmento dos veículos com mil cilindradas (1.0), cuja participação nas vendas totais foi de 50,3%, em janeiro de 2010, e de 46,2%, no mês passado.

O déficit da balança comercial do setor automobilístico atingiu US$ 6 bilhões, em 2010, e deverá crescer, em 2011, por causa da fraqueza do dólar e ao real valorizado. Num cenário mais difícil, o aumento da demanda por carros potentes auxilia as montadoras, que deles extraem mais lucro.

As mudanças no mercado local de veículos, decorrentes do aumento das importações e da demanda de veículos mais potentes, significam, sobretudo, uma acomodação de curto prazo, sem que se possa falar em tendência de longo prazo, pois as montadoras mantêm planos ambiciosos de investimento no País, e o mesmo ocorre no setor de autopeças, inclusive de reposição.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.