Anomalias no balanço de pagamentos

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, reconheceu que o déficit das transações correntes do balanço de pagamentos, em julho - de US$ 1,665 bilhão -, foi o dobro do que se previa. Mas atribuiu esse mau resultado a uma inesperada remessa de lucros e dividendos de uma montadora estrangeira e ao déficit da conta de viagens ao exterior, normal neste período do ano.Poderia também ter mencionado a queda do superávit da balança comercial, de US$ 4,624 bilhões, em junho, para US$ 2,927 bilhões, em julho. Isso justifica sua advertência de que a retomada do crescimento poderá elevar o déficit das transações correntes, em razão de um possível aumento das importações.Talvez fosse mais adequado referir-se à redução do balanço de pagamentos, de US$ 7,048 bilhões, em junho, para US$ 4,672 bilhões, apesar de fatos positivos como os investimentos em ações, com o maior volume desde dezembro de 2007.Na realidade, a conta de capital do mês de julho apresenta algumas mudanças importantes, mas que não parecem ter caráter permanente. É o caso da volta de empréstimos intercompanhias dos investimentos brasileiros no exterior, que somaram US$ 3,814 bilhões - que se acrescentaram aos US$ 3,736 bilhões do mês anterior -, indicando a preocupação de empresas brasileiras em recuperar empréstimos feitos para suas filiais no exterior.Os investimentos estrangeiros em ações somaram US$ 6,788 bilhões, ante o saldo negativo de US$ 56 milhões no mês anterior. Pode-se pensar que isso reflita a melhora da economia mundial, porém são operações muito voláteis.Na mesma onda estão as operações com títulos de renda fixa, com ingressos de US$ 892 milhões. Essas operações contribuíram para a valorização do real e para maiores dificuldades na exportação. Os investimentos em ações diminuíram em agosto, até o dia 25, mas são altos (US$ 3,107 bilhões). O investimento direto estrangeiro bruto, de US$ 3,155 bilhões, em julho, foi contrabalançado pelas remessas de dividendos.Na conta dos empréstimos externos há uma saída líquida de US$ 1,6 bilhão, que se explica pela generosidade do governo para com outros países e pelo fato de que a rolagem da dívida externa foi de apenas 24%, ante 607% nos sete primeiros meses do ano.O Banco Central calcula que, em agosto, o déficit das transações correntes ficará em US$ 1,6 bilhão.

, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

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