Apesar da crise, a classe média cresceu

Pesquisa do Centro de Políticas Sociais (CPS) da FGV mostrou um vigoroso crescimento da classe média entre 2004 e 2008 - inclusive no último trimestre, em plena crise global. Nesse período, as mais afetadas foram as classes A e B, detentoras de aplicações que perderam valor.O levantamento, divulgado pela primeira vez em agosto de 2008, mostrou que nessa década houve melhora notável na distribuição de renda.A classe C, com renda mensal domiciliar entre R$ 1.115 e R$ 4.807, passou de 44,4% da população, em 2004, para 51,18%, em 2007, 51,93%, em setembro, e continuou crescendo, para 53,46%, em dezembro.A participação das classes A e B - com renda acima de R$ 4.807 - também cresceu, porém menos: de 11,59%, em 2004, para 14,37%, em 2007, 15,12%, em setembro, e 15,44%, em dezembro. "A crise parece afetar mais os mais ricos, sejam classes econômicas dentro do País ou sejam países mais desenvolvidos", notou o economista-chefe do CPS, Marcelo Neri.O estudo é pormenorizado e se baseia nos dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE e da Pnad. Responde a uma questão central: em quanto a melhora de indicadores macroeconômicos se traduz em mais bem-estar para as famílias. Não foram meramente estatísticos os impactos da promoção do País ao grupo de nações com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) alto, a conquista do investment grade, os recordes de vendas de veículos e computadores e o aumento do crédito.Entre 2002 e 2008, as classes A, B e C, somadas, aumentaram sua participação de 55,86% para 67,52%. As classes média e alta cresceram mais em Belo Horizonte (37,8%), Salvador (32%) e Recife (25%). Em outras capitais, onde essas classes já predominavam, São Paulo mostrou aumento da participação das faixas A, B e C de 63,27% para 73,3%; Porto Alegre, de 60,01% para 69,54%; e o Rio, de 54,44% para 66,64%.Ao aumento das classes A, B e C corresponde a diminuição das classes D e E, onde a pobreza se concentra, o que mostra que os dados são alvissareiros.Mas o que explica a melhora da distribuição da renda é o acesso ao emprego formal. "A volta da carteira de trabalho talvez seja o elemento mais representativo do ressurgimento da classe média brasileira", diz Neri. Se esse foi o fator determinante da ascensão social no País, a continuidade da melhora ou mesmo a preservação dos avanços recentes dependerão, agora, da manutenção do emprego.

, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

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