Apesar da crise, o emprego volta a crescer na indústria

Ainda é cedo, porém, para identificar nesses números uma tendência de recuperação do mercado de trabalho

O Estado de S.Paulo

07 Março 2017 | 03h00

A despeito de o mercado de trabalho formal ainda apresentar resultados preocupantes, com o contínuo aumento do número de desempregados, há sinais de que a crise está arrefecendo. O resultado de janeiro, com o fechamento de 40,8 mil postos de trabalho com carteira assinada – o que resultou na redução de 1.280.863 vagas formais em 12 meses –, é menos ruim do que os de janeiro de 2016 (99.694 empregos perdidos) e de janeiro de 2015 (81.774 vagas fechadas).

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados há dias pelo Ministério do Trabalho mostram que empregos continuam a ser destruídos pela crise que o País enfrenta desde meados de 2014, mas a um ritmo menos intenso do que aquele que se observou até o fim do ano passado.

Ainda é cedo, porém, para identificar nesses números uma tendência de recuperação do mercado de trabalho. Mesmo que as empresas voltem a contratar mais do que demitir, o que pode ocorrer dentro de alguns meses, a recuperação será lenta.

Além da redução do ritmo de demissões, os dados de janeiro do Caged mostraram uma novidade animadora. A indústria, segmento da economia mais afetado pela crise em termos de produção e emprego, registrou, pela primeira vez desde janeiro de 2015, a contratação líquida de mais de 10 mil trabalhadores. Em janeiro, o setor abriu 17.501 vagas; um ano antes, havia fechado 16.553 postos.

Há dois anos, a cada mês a indústria registrava diminuição do emprego (com duas exceções no período), mas é ampla a recuperação que os números de janeiro parecem sugerir. Dos 12 setores em que o Caged divide a indústria, 10 registraram saldo positivo naquele mês. Os destaques foram os setores calçadista, têxtil, mecânico e metalúrgico. Também a agricultura, que deve gerar nova safra recorde de grãos, registrou saldo positivo de 10.663 vagas.

O principal responsável pelo resultado negativo de janeiro foi o comércio, que fechou 60.075 vagas, principalmente no varejo. Normalmente, os três primeiros meses do ano são de baixa atividade para o comércio, mas o fraco desempenho da economia vem acentuando esse mau desempenho sazonal.

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