Apoio do BC à atividade imobiliária

O Conselho Monetário Nacional antecipou, por exemplo, a entrada do novo limite de avaliação de imóveis que podem ser financiados pelo SFH

O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2018 | 04h00

O Banco Central (BC) tem dado inequívoco apoio ao mercado e ao crédito imobiliários, seja liberalizando as aplicações com recursos das cadernetas de poupança e estimulando a redução dos custos dos empréstimos, seja ampliando os limites das operações do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Há alguns dias, o Conselho Monetário Nacional (CMN) antecipou de 1.º de janeiro de 2019 para 1.º de novembro de 2018 a entrada do novo limite de avaliação de imóveis que podem ser financiados pelo SFH, que passou a ser de R$ 1,5 milhão. Até outubro, o valor máximo era de R$ 950 mil nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além do Distrito Federal, e de R$ 800 mil nas demais cidades do País. No SFH, também é possível utilizar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

A decisão amplia o acesso à moradia própria das famílias de classe média, que mais usam os recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). O fundamento da medida, segundo o BC, está no fato de que o novo valor não implica ajustes substanciais nos sistemas internos das instituições financeiras. Cabe acrescentar que os indicadores de desempenho do mercado e do crédito imobiliários são pouco satisfatórios, tornando a medida oportuna.

Pesquisas recentes sobre os preços, como o índice FipeZap, apontam para queda real dos valores pedidos por imóveis neste ano. Em algumas cidades, há recuperação apenas nominal de preços.

Entre agosto e setembro, o volume de financiamentos do SBPE recuou 13,3%, para R$ 4,9 bilhões. As comparações com 2017 são positivas, mas a queda no curto prazo não deve ser ignorada.

Segundo a publicação Broadcast Mercado Imobiliário, da Agência Estado, os construtores esperam a melhora do ambiente macroeconômico para retomar investimentos. O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) previa um crescimento do setor de 0,5% em 2018 e agora projeta queda de 0,6%.

Embora a decisão do BC de elevar o limite de crédito atenda uma pequena faixa de empresas e famílias, o alto valor das operações poderá permitir algum desafogo para construtoras que carregavam estoques a custos altos. Já os compradores terão mais acesso à moradia numa fase de mercado ainda deprimido.

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