Árvores condenadas

Nos últimos dias, as chuvas intensas que caíram sobre a capital paulista, acompanhadas de fortes ventos, deixaram mais uma vez à mostra a precariedade do serviço municipal encarregado do corte de árvores condenadas, assim como as deficiências do serviço de reparos da AES Eletropaulo. A queda de grande número de árvores sobre a fiação elétrica, interrompendo o fornecimento de energia a centenas de milhares de residências - por períodos muito mais longos que os aceitáveis nessas situações -, voltou a castigar a população.

O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2015 | 02h05

Estima-se que 800 mil pessoas ficaram sem energia em suas casas em consequência do temporal de segunda-feira, com ventos que na região do Aeroporto de Congonhas chegaram a 85 km/h e afetaram seu funcionamento, como mostrou reportagem do Estado. Situação que durou mais de 28 horas para 335 mil consumidores, principalmente das zonas oeste e sul, e que perdurava para muitos outros ainda no final de tarde de ontem.

Na Avenida Miruna, em Moema, na zona sul, por exemplo, a queda de uma árvore derrubou três postes em frente ao Shopping Ibirapuera, interrompeu o tráfego e cortou a energia na região. O mesmo aconteceu no bairro de Perdizes, na zona oeste, situação que se repetiu em várias outras regiões. Mais de 600 mil pessoas também ficaram sem água nessas duas zonas, como informou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), porque o bombeamento depende de eletricidade.

Culpar por isso as chuvas e os fortes ventos não resolve nada. Porque são incontroláveis, cabe ao poder público se preparar para enfrentar e minimizar tanto quanto possível suas consequências. E o melhor exemplo de que isso não está sendo feito como deveria é o da queda de árvores. Calcula-se que desde 29 de dezembro já caíram mil. E a explicação do secretário de Coordenação de Subprefeituras, Ricardo Teixeira, em declaração ao jornal Folha de S.Paulo, não convence. Segundo ele, a quantidade de árvores caídas superou qualquer programação e a maior parte delas - 66% - não estava condenada, mas sadia, tendo sido derrubada pela força dos ventos.

É notório que na cidade há muitas árvores condenadas que a Prefeitura não corta por negligência ou falta de planejamento. Os depoimentos de moradores de diversas regiões, cansados de solicitar e não conseguir o corte de árvores nessas condições, são eloquentes. E, como só o Município pode cortar ou podar árvores nas vias públicas, todos ficam na dependência da Prefeitura.

O problema vem de longe e se agravou nos últimos anos, por causa do envelhecimento das árvores, do aumento consequente do número das condenadas e da incapacidade da Prefeitura de se livrar delas. Por trás disso estão um exagerado e ideologizado ambientalismo, que defende até árvores condenadas - indiferente ao risco que representam para as pessoas -, e as deficiências do serviço municipal encarregado do problema.

A Prefeitura não pode mais fugir de sua obrigação de fazer logo um minucioso levantamento das árvores condenadas e cortar todas elas o quanto antes possível. O custo disso é certamente muito menor do que o dos prejuízos que sua queda acarreta para a população, como demonstra o que tem acontecido ultimamente.

O outro elemento do problema é a fiação aérea - mais de 90% em São Paulo - sobre a qual caem as árvores, interrompendo o fornecimento de energia. Como o enterramento dessa fiação exige obras muito caras - cerca de R$ 15 bilhões só para o centro expandido - e demoradas, só restam duas providências para enfrentar o problema a curto prazo. Uma é a ação mais enérgica que se espera da Prefeitura no caso das árvores condenadas. Outra é a melhoria do serviço de reparo da rede elétrica avariada por parte da AES Eletropaulo.

Como esse problema é antigo, a concessionária já deveria ter se preparado para providenciar os consertos com maior rapidez. Com frequência, os consumidores têm de esperar um ou dois dias. Corrigir essa situação, e o mais rápido possível, não é mais que sua obrigação.

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