As commodities empurram o saldo comercial recorde

saldo foi tão expressivo que os especialistas em comércio exterior revisaram para cima as projeções do superávit de 2017

O Estado de S.Paulo

08 Julho 2017 | 03h01

Vários fatores asseguraram o superávit recorde de US$ 36,2 bilhões na balança comercial do primeiro semestre, mas entre eles o mais destacado foi o bom comportamento das vendas de commodities. O saldo foi tão expressivo que os especialistas em comércio exterior revisaram para cima as projeções do superávit de 2017. Este atingiu US$ 60,3 bilhões nos últimos 12 meses, até junho, e poderá se aproximar de US$ 70 bilhões no ano.

A partir dos bons resultados de junho, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) elevou a estimativa de superávit anual de US$ 55 bilhões para US$ 60 bilhões, valor idêntico ao previsto pela área econômica do Bradesco, que leva em conta uma queda do saldo neste semestre. Rafael Bistafa, da Rosenberg, espera um superávit de US$ 68 bilhões, US$ 8 bilhões acima da projeção anterior.

O mais importante é que não só houve aumento das exportações (+19,3% entre os primeiros semestres de 2016 e 2017), como de importações (+7,3%, no período). A recessão não impediu que as importações crescessem, embora o crescimento tenha sido mais lento que o das exportações. Com o aumento das vendas e compras, a corrente de comércio (a soma de ambas) avançou 14,3% e atingiu US$ 179,2 bilhões no primeiro semestre. É uma indicação de que a economia brasileira está levemente mais aberta, podendo beneficiar-se com a qualidade e o preço de importados.

O maior destaque das exportações foi o petróleo bruto, cujas vendas médias diárias cresceram 128,2%, elevando de US$ 4 bilhões para US$ 9,2 bilhões as exportações entre os primeiros semestres de 2016 e 2017, graças ao avanço da produção na do área pré-sal e à política mais agressiva da Petrobrás. As vendas de minério de ferro subiram 82,7% na média diária e evoluíram de US$ 5,5 bilhões para US$ 10 bilhões; as de soja em grão subiram 20% na média diária e cresceram de US$ 13,9 bilhões em 2016 para US$ 16,7 bilhões em 2017.

Nos semimanufaturados destacaram-se as exportações de produtos de ferro/aço, ferro fundido, açúcar em bruto e madeira serrada. E, nos manufaturados, despontaram as vendas de óleos combustíveis, veículos, açúcar refinado, laminados e calçados. Note-se que a alta das vendas de manufaturados merece especial destaque, pois reflete uma recuperação da competitividade do País.

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