As condições das rodovias

É tarefa urgente viabilizar, com a iniciativa privada, os investimentos necessários para as rodovias

O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2018 | 05h00

Houve uma pequena melhora nas estradas de 2017 para 2018, mas a situação geral deixa muito a desejar, informa a Pesquisa CNT de Rodovias 2018, da Confederação Nacional do Transporte (CNT). No ano passado, 61,8% dos trechos das estradas haviam recebido classificação regular, ruim ou péssima. Neste ano, o índice foi de 57%. Os números confirmam as conhecidas deficiências de infraestrutura na área de transporte, que tanto dificultam a atividade econômica. O assunto é de extrema relevância, já que o transporte rodoviário é responsável por 61% da movimentação de mercadorias e por 95% da de passageiros no Brasil.

A pesquisa da CNT avaliou 107.161 km, o que engloba toda a malha federal pavimentada (67.449 km) e os principais trechos estaduais pavimentados (39.712 km). Vale lembrar que há também no País mais de 1,3 milhão de km de estradas não pavimentadas.

A pesquisa da CNT, que se consolidou como a principal referência sobre a infraestrutura rodoviária do País, tem como objetivo subsidiar políticas setoriais de transporte, projetos privados, programas governamentais e atividades de ensino e pesquisa voltados ao desenvolvimento do transporte rodoviário, tanto de cargas como de passageiros. Os itens avaliados são as condições do pavimento, a sinalização e a geometria das estradas.

Neste ano, a melhoria mais significativa das rodovias ocorreu na sinalização, que inclui placas de limite de velocidade, faixas centrais, laterais e defensas. Em 2018, o porcentual da extensão das rodovias com sinalização ótima ou boa foi de 55,3%. No ano passado, apenas 40,8% dos trechos tiveram avaliação positiva neste quesito. A melhora foi principalmente resultado de investimentos realizados em rodovias federais.

A situação do pavimento continua preocupante. Mais da metade dos trechos (50,9%) foi considerada deficiente. A CNT estima que más condições do pavimento elevam em média 26,7% do custo operacional do transporte, com efeitos sobre a manutenção dos veículos, maior desgaste de pneus e freios e maior consumo de combustível.

Quanto à geometria - que inclui variáveis como traçado, alinhamento, distância de visibilidade, quantidade e largura de faixas, raios de curvas, existência ou não de acostamentos, entre outras -, 75,7% dos trechos avaliados apresentaram problemas.

Em 2018, houve também aumento do número de ocorrências nas vias que trazem risco à segurança dos usuários e aumentam os custos de operação, como quedas de barreiras, pontes caídas, erosões nas pistas e grandes buracos. Os pontos considerados críticos aumentaram de 363 para 454.

Há uma notável diferença entre as rodovias operadas diretamente pelo poder público (governos federal e estaduais) e as concedidas à iniciativa privada, indica a pesquisa. Com um total de 19.598 km de vias, as rodovias concedidas à iniciativa privada apresentaram um padrão de qualidade muito superior à média nacional. Em 2018, 81,9% dos trechos dessas vias foram classificados como ótimos ou bons. Já apenas 34,2% das rodovias sob gestão pública receberam uma avaliação positiva.

As dez melhores ligações rodoviárias do País estão sob concessão para a iniciativa privada e todas passam pelo Estado de São Paulo. Nas rodovias paulistas, 78% dos trechos foram avaliados como ótimos ou bons. Não por coincidência, 65,3% das rodovias do Estado estão sob gestão privada.

O atual patamar de investimento público é insuficiente para assegurar rodovias satisfatórias. Em 2017, o investimento federal para a infraestrutura do transporte (R$ 8,31 bilhões) foi inferior ao custo gerado por acidentes (R$ 10,8 bilhões). A CNT estima em R$ 48 bilhões os investimentos necessários para ações de reconstrução, restauração e readequação das vias desgastadas. É tarefa urgente viabilizar, com a iniciativa privada, os investimentos necessários para as rodovias. É o caminho possível e - como mostram os dados - o que melhores resultados produz. 

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