As dificuldades da dívida mobiliária

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), com um estoque de R$ 1,221 trilhão em janeiro, caiu 3,46% em relação ao final do ano passado, com um resgate acima da emissão e apesar da apropriação de R$ 11,11 bilhões de juros. O problema é saber se a dívida caiu pelas dificuldades de colocação de papéis a taxa razoável - o que obrigaria a emitir moeda para suprir as necessidades de financiamento - ou se realmente foi possível reduzir essas necessidades. Só saberemos quando o Banco Central divulgar a evolução da base monetária de janeiro.O fato é que as emissões primárias da DPMFi, que tinham sido de R$ 41,6 bilhões em dezembro, caíram para R$ 36,3 bilhões em janeiro, enquanto no mesmo período os resgates subiram de R$ 33,6 bilhões para R$ 91,1 bilhões, com o Tesouro sempre procurando rolar a sua dívida...Um outro aspecto curioso é a grande diferença entre os papéis oferecidos nos leilões. Em dezembro os títulos indexados à taxa Selic representavam 95% das emissões, porcentagem que caiu para 38,41% em janeiro, o que se justifica em razão de redução da Selic a partir da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).Os títulos com remuneração prefixada, que ao longo do ano foram os preferidos dos investidores e representaram 29,43% das emissões de dezembro, chegaram a 47,84% do total das emissões, por oferecerem remuneração muito alta aos investidores estrangeiros. Essa porcentagem supera muito o objetivo do Programa Anual de Financiamento (PAF) para 2009, que estabelece uma participação de 24% a 31% dos títulos prefixados no estoque da dívida.Destaque-se o fato de que o custo médio acumulado em 12 meses passou de 13,56%, em dezembro, para 13,46%, em janeiro, remuneração ainda elevada para um IPCA de 4,5%, o que mostra a dificuldade do Tesouro de colocar títulos a um preço menor.Mas o aspecto que deveria levar a uma preocupação maior é que a participação dos títulos que vencem nos próximos 12 meses cresceu de 27,30% para 29,2%, embora o prazo médio tenha aumentado de 3,28 meses para 3,41 meses de dezembro para janeiro.Parece, pois, crescente a dificuldade do governo de financiar seu déficit por meio da emissão de títulos.Devemos pensar também no "após crise", quando será necessário voltar a um regime mais normal de déficits para conter a inflação.

, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2009 | 00h00

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