As exportações do agronegócio

O mais recente levantamento mensal de intenção de plantio divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) - que projeta um aumento de 4,8% na safra brasileira de grãos (a produção na safra 2013/14 deve alcançar 195,9 milhões de toneladas, 9 milhões de toneladas mais do que na safra 2012/13) - indica que o agronegócio continuará a desempenhar papel vital para evitar a deterioração ainda mais acentuada da balança comercial do País.

O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2013 | 02h07

A crescente produção agropecuária vem permitindo ao País assegurar e até ampliar mercados externos e compensar amplamente as dificuldades enfrentadas por outros setores de produção para aumentar suas exportações e, em alguns casos, reduzir suas importações. Nos 11 primeiros meses de 2013, por exemplo, as exportações do agronegócio alcançaram US$ 93,58 bilhões, valor 5,6% maior do que o registrado no período janeiro-novembro de 2012 e correspondente a 42,3% de tudo o que o Brasil exportou no período.

Visto pelo lado das importações, o papel do agronegócio na sustentação do equilíbrio da balança comercial brasileira é ainda mais notável. Do total de US$ 221,4 bilhões que o País importou de janeiro a novembro deste ano, o agronegócio foi responsável por apenas US$ 15,7 bilhões, ou 7,1% do total. Assim, o saldo comercial do agronegócio neste ano já alcançou US$ 77,88 bilhões. Se se lembrar de que a balança comercial registrou nos nove primeiros meses do ano um pequeno déficit de US$ 88 milhões, pode-se imaginar qual teria sido o resultado se o agronegócio não tivesse alcançado um superávit tão grande.

Os produtos ou grupos de produtos que mais contribuíram para o aumento do superávit comercial do agronegócio neste ano foram o complexo soja, cujas exportações cresceram 19% em relação às de 2012; as carnes (de aves, bovina e suína), com aumento de 5,4%; e cereais, farinhas e preparações, com aumento de 13,7%.

Entre os produtos vegetais, a soja deverá liderar o crescimento da produção na safra 2013/14, passando de 81,5 milhões de toneladas para 90,0 milhões, um aumento de 10,4%. Também deverão registrar altas expressivas as produções de algodão em pluma (25%, ou mais 328 mil toneladas), trigo (mais 22,4%, ou 979 mil toneladas) e o feijão da primeira safra (34,6% ou 334,2 mil toneladas).

A área de plantio deverá aumentar 3,6%, de 53,27 milhões de hectares (ha) na safra 2012/13 para 55,19 milhões de ha. A produtividade média, por isso, deverá registrar uma pequena variação, de 3.508 kg/ha para 3.550 kg/ha (aumento de 1,2%).

Além da intenção de plantio, a Conab vem realizando também levantamentos dos custos de produção de diferentes culturas. Em 2013, seus técnicos atualizaram o conjunto de tecnologias ou pacotes tecnológicos utilizados, sobretudo, pela agricultura empresarial. Eles constataram que o plantio direto - técnica que procura conservar o solo, mantendo-o sempre coberto por plantas em desenvolvimento e por resíduos vegetais, o que o protege das erosões e reduz os trabalhos de sua preparação para o plantio - se tornou uma prática consolidada em praticamente todas as culturas, o que fez cair o custo da produção.

O uso sempre mais intenso de tratores, semeadeiras, colheitadeiras, pulverizadores e outros implementos e o próprio desenvolvimento desses equipamentos - que dispõem de componentes informatizados e de precisão - vêm impondo aos produtores o aumento do custo da mão de obra, por causa da escassez de profissionais preparados para operar as máquinas.

Além disso, segundo a Conab, ao encarecimento dos equipamentos e da mão de obra soma-se a valorização das terras. Como observa o mais recente levantamento da atividade agrícola, a terra tem seu valor associado a um número de sacas, principalmente de soja, cujos preços têm sido bastante favoráveis aos produtores nos últimos anos.

Para compensar a eventual redução das margens de lucratividade, os produtores têm sido estimulados a aumentar a escala de produção, isto é, a ampliar suas áreas de cultivo, sobretudo dos produtos de exportação.

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