As mudanças que impulsionam o saldo comercial

Os recordes registrados pela balança comercial nos quatro primeiros meses de 2017 levaram o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) a elevar em 10% a projeção de superávit para todo o ano, que passou de US$ 50 bilhões para US$ 55 bilhões. Os resultados alcançados até agora justificam a revisão otimista. Mas, além desses resultados, o comércio exterior brasileiro mostra, neste ano, mudanças importantes em relação ao ano passado. A mais relevante delas é que o crescimento do saldo comercial não se deve mais à forte compressão das importações em decorrência da crise econômica iniciada na segunda metade de 2014, mas, sobretudo, ao aumento das exportações. Também a exportação de produtos industrializados voltou a crescer, o que tende a estimular a atividade nesse segmento, que foi duramente atingido pela crise.

O Estado de S.Paulo

05 Maio 2017 | 03h04

No mês passado, o superávit comercial alcançou praticamente US$ 7 bilhões (mais precisamente US$ 6,969 bilhões), resultado 43,3% maior do que o de um ano antes e um recorde para os meses de abril de toda a série histórica do Mdic. O saldo decorreu de exportações de US$ 17,686 bilhões (27,8% maiores do que as de abril de 2016) e importações de US$ 10,717 bilhões (aumento de 13,3%). O superávit cresceu mesmo com o registro do aumento das importações pelo quinto mês consecutivo, o que não ocorria desde agosto de 2013.

Os valores do primeiro quadrimestre do ano são igualmente expressivos. O superávit acumulado no período é de US$ 21,387 bilhões, 61,4% maior do que o de igual período do ano passado. Nessa comparação, as exportações cresceram 21,8% e as importações, 9,5%. Já as exportações de manufaturados saíram de uma queda de 1,8% nos primeiros quatro meses do ano passado para alta de 12% neste ano.

Em boa parte, os resultados da balança comercial estão sendo impulsionados pelo aumento dos preços de importantes produtos que compõem a pauta de exportações do País. Em um ano, o preço do minério de ferro (responsável por 10,3% das exportações no primeiro quadrimestre) aumentou 127% e o do petróleo bruto (9% das exportações) subiu 75%. Assim, com pequeno aumento na quantidade exportada (de 0,7% no caso do minério de ferro), esses produtos responderam pela maior parcela do aumento das vendas externas do País.

Mais conteúdo sobre:
Editorial Econômico

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.