Ataques a caixas eletrônicos

Uma nova modalidade de roubo particularmente perigosa para a população - a explosão de caixas eletrônicos situados principalmente em agências bancárias e estabelecimentos comerciais, inclusive farmácias - está assumindo proporções assustadoras, sem que as autoridades policiais tenham até agora encontrado o caminho para enfrentar esse desafio. Embora o problema seja mais grave em São Paulo, ataques desse tipo começam a se multiplicar também em outros Estados.

, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2011 | 00h00

Na capital, em janeiro, registraram-se 6 casos; em fevereiro, 17; em março, 19; em abril 20; e, nas duas primeiras semanas de maio, mais 11.Do começo do ano até meados deste mês, foram registrados 126 ataques a caixas eletrônicos na Grande São Paulo, o que representa quase um por dia. Na capital foram 73 casos e, no interior, 53.

De acordo com levantamento feito por recente reportagem do Jornal da Tarde, em todo o Estado são utilizados, em média, explosivos em uma de cada quatro ocorrências. Na capital a proporção é maior, porque houve 50 ataques com bombas para um total de 73.

Nada parece amedrontar os bandidos. Um dos ataques, ocorrido no último dia 11, de madrugada, na Vila Sônia, foi contra agência do Banco do Brasil na Avenida Francisco Morato, situada a 400 metros de um Distrito Policial (DP). Depois da explosão, um grupo de policiais militares de uma base ao lado do DP correu até o local, mas não conseguiu prender ninguém. Depois das agências bancárias (54 dos 122 casos registrados na Grande Sã Paulo), os principais alvos dos ataques aos caixas eletrônicos são os mercados (24), os postos de gasolina (14) e empresas de vários tipos (12). Os ataques vêm ocorrendo em todas as regiões da capital, com destaque para Itaquera, Morumbi, Pirituba, Parque do Carmo e São Mateus.

Para se ter uma ideia do perigo desse tipo de ataque, tanto para os que vão sacar dinheiro como para outras pessoas que se encontram nas proximidades, basta citar um caso - a explosão do hall do Banco Itaú, na Avenida Nossa Senhora da Assunção, no Butantã, ocorrido no começo do mês. Três caixas foram danificados pelos explosivos utilizados pelos bandidos e parte do teto da agência caiu.

É compreensível, num quadro como esse, que muitos estabelecimentos estejam pedindo aos bancos a retirada dos caixas eletrônicos, que antes eram uma forma de atrair clientes e agora estão produzindo o efeito contrário. Segundo Roberto Ordine, vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, a instalação desses caixas em casas comerciais, que começou a se disseminar em 2000 e foi até agora positivo, está se transformando num perigo, tanto para os consumidores como para os empregados e os comerciantes: "Já teve gente ferida, estamos preocupados".

Pegas de surpresa pela rápida disseminação dessa nova modalidade de crime, as autoridades da área de segurança pública não têm mostrado a agilidade que delas espera a população para enfrentar esse desafio. Houve avanço somente na defesa dos interesses dos bancos. Graças a equipamentos por eles instalados nos caixas eletrônicos, quando estes são explodidos se espalha tinta rosa sobre as notas. Assim marcadas, elas são facilmente encontradas e perdem o valor, porque é fruto de roubo. O Banco Central já alertou a população para a necessidade de recusar essas notas, que poderão ser retiradas de circulação e destruídas.

Nada contra o fato de os bancos terem meios de se livrar do prejuízo, mas é preciso pensar também na outra parte interessada na questão, que não dispõe dos mesmos recursos. Os donos dos estabelecimentos que abrigam os caixas são prejudicados, mas podem se defender, livrando-se deles. E as pessoas, que vão sacar dinheiro nos caixas ou se encontram nas proximidades deles e se expõem aos riscos das explosões?

A essas pessoas - que hoje merecem os maiores cuidados - a polícia tem a obrigação de oferecer uma resposta rápida. O combate aos bandidos, que já se faz tardar, pode começar pelo rastreamento de sua principal arma: os explosivos, que são materiais de uso controlado.

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