Atividade beneficia até as pequenas construtoras

Os indicadores de otimismo dos construtores estiveram mais altos no primeiro trimestre, mas ainda foram muito satisfatórios no segundo trimestre, de acordo com grandes e pequenas construtoras, como revelou a última Sondagem da Construção Civil da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O setor de imóveis foi beneficiado pela estabilidade macroeconômica, contribuindo para o crescimento do PIB e da contratação de mão de obra.

, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2010 | 00h00

Entre maio e junho, passou de 50,6 pontos para 53,8 pontos o índice de satisfação das pequenas construtoras com a situação financeira da empresa - e o mesmo ocorreu com as companhias de porte médio. Só entre as grandes construtoras o índice diminuiu, de 63,4 pontos para 57,1 pontos (índices superiores a 50 pontos indicam avaliações positivas).

O otimismo é maior no setor de infraestrutura, em vista das obras necessárias para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, mas também o programa oficial de habitação popular subsidiada atrai as construtoras. O nível de expectativas das empresas para o segundo semestre é favorável, chegando a superar os 70 pontos, no caso dos novos empreendimentos e dos serviços.

A pesquisa da CNI, iniciada em janeiro, é feita com 320 companhias, das quais 175 são pequenas. Elaborada em conjunto com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), confirma a escassez de pessoal qualificado. "A saída é investir em programas de capacitação ou dentro da própria empresa, para tentar resolver o problema", afirmou o gerente da pesquisa, Renato Fonseca.

No segundo trimestre, a margem de lucro das obras de infraestrutura e dos serviços especializados aumentou, enquanto se manteve praticamente estável na construção de edifícios. Houve, portanto, um primeiro sinal de que o aumento de custos de pessoal, sobretudo técnicos, já afeta a rentabilidade das construtoras.

O setor da construção civil opera com elevado grau de imobilização e, portanto, com riscos altos. Cabe às empresas, hoje muito lucrativas, transformarem os resultados em capital. Assim, quando passar a euforia do ano eleitoral, elas poderão evitar interrupções de obras, comuns no passado. O crédito abundante, a custos razoáveis, tem dado alento ao setor, revela a pesquisa, mas tem de ser concedido com critério pelas instituições, notadamente as do setor público, onde há mais dinheiro disponível, pois a solvência depende de condições futuras sobre as quais não há controle, como renda crescente, inflação baixa e juros módicos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.