Avanço na economia de água

A região metropolitana de São Paulo conseguiu, nos últimos dez anos, economizar 14 bilhões de litros de água por mês, marca expressiva para uma área em que a disponibilidade é de apenas 146 mil litros por habitante ao ano, muito abaixo do que é recomendado pela ONU. Campanhas educativas, altos investimentos em tecnologia e um eficaz Programa de Uso Racional de Água (Pura) permitiram à Sabesp diminuir de 3,9 pontos porcentuais o índice de perdas de faturamento, passando de 29,5% em dezembro de 2007 para 25,6% em dezembro passado.

O Estado de S.Paulo

01 Março 2012 | 03h07

Considerando-se o trabalho desenvolvido em 364 municípios paulistas, chega a 83 bilhões de litros por mês a economia de água obtida nos últimos quatro anos, desde que a Sabesp firmou acordo de parceria com a Japan International Cooperation Agency (Jica) para a troca de conhecimentos e para investimento no combate às perdas. Desse total, 65% do volume se refere à vedação de vazamentos - as chamadas perdas reais. Somente no ano passado, R$ 310 milhões custearam ações destinadas a reduzir as perdas.

A parceria com a Jica, iniciada em 2007, permitiu captar R$ 2 bilhões, reformular o Pura e aprender com a experiência bem-sucedida de gestão da água do Japão, onde as perdas não ultrapassam 10%. Nesse período, mais de 50 técnicos da Sabesp estudaram os métodos japoneses de identificação tanto das perdas reais quanto das aparentes, que representam o volume consumido não faturado, seja por fraudes, seja por problemas no sistema de medição.

Nos últimos quatro anos, a Sabesp tem trabalhado em conjunto com prefeituras em iniciativas que vão desde a renovação de equipamentos e administração de pressão da rede, para evitar vazamentos, até a atualização cadastral para combater as ligações irregulares. O resultado é significativo. Municípios como Franca e Lins já atingiram índices de perda próximos a 10%.

Há também ações mais simples, mas de impacto considerável. Em 1.714 escolas onde foram ministradas palestras e distribuídas cartilhas com informações sobre o uso racional da água e substituídos equipamentos hidráulicos, a redução média do consumo foi de 14%. No município de Morungaba desenvolve-se um projeto-piloto em prédios públicos. A Sabesp doou equipamentos modernos, como torneiras com fechamento automático e vasos sanitários com descarga de seis litros, para serem instalados em dez imóveis com consumo acima de 50 m³ por mês. Nesses locais, funcionários públicos serão treinados para o uso racional da água e para atuar como instrutores nos demais imóveis públicos. A intenção é atingir a redução de pelo menos 10% no consumo.

As boas práticas de redução e controle do uso da água têm possibilitado à Sabesp prestar ajuda, com base em sua experiência e seu conhecimento, não somente a municípios paulistas, mas também a outros países. Entre 24 de fevereiro e 16 de março, 23 técnicos de dez países da América Latina e da África estarão reunidos com colegas brasileiros em São Paulo para um treinamento promovido pela estatal em parceria com a Jica. O objetivo é prepará-los para levar suas cidades a reduzirem as perdas de água.

A eficiência operacional das companhias de abastecimento é fundamental, não apenas para assegurar acesso a investimentos, como para garantir a preservação de mananciais e a redução do custo da captação cada vez mais distante. Na Sabesp, quando o Pura foi criado, em 1996, as perdas de água atingiam 32% do que era captado. Hoje, elas estão em 25,6% e a companhia quer atingir, até 2019, o nível de perda dos países europeus, entre 10% e 15%. Até lá, o investimento total chegará a R$ 4,3 bilhões.

A estratégia da companhia, que vai da educação à melhoria tecnológica e às boas práticas de gestão, é correta. Para atingir o objetivo desejado, é preciso também que os administradores públicos sigam o exemplo das prefeituras que promoveram bons programas de redução de perdas e invistam na conscientização da população.

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