Avanço perigoso da inadimplência do consumidor

Inadimplência dos consumidores atingiu 61,2 milhões de pessoas em abril de 2018

O Estado de S.Paulo

19 Maio 2018 | 04h00

É preocupante o aumento da inadimplência dos consumidores, que atingiu 61,2 milhões de pessoas em abril de 2018. Os dados da inadimplência, obtidos em levantamento da consultoria Serasa Experian, ajudam a explicar por que é lenta a recuperação do nível de atividade econômica do País, que depende do consumo.

Trata-se, em primeiro lugar, de um número recorde de inadimplentes, superando o de novembro de 2017. O avanço dos atrasos de pagamento concentrou-se no primeiro quadrimestre de 2018, período em que o número de inadimplentes passou de 60,09 milhões para 61,23 milhões, ou seja, atingindo 1,1 milhão a mais de pessoas. O montante das dívidas em atraso foi de R$ 271,7 bilhões, correspondendo a R$ 4.438 por pessoa, com média de quatro dívidas por CPF.

O maior porcentual de inadimplentes está na faixa dos 41 a 50 anos (19,7%), seguindo-se as faixas de jovens com 18 a 25 anos (14,2%) e de idosos com 61 anos ou mais (14,1%).

O maior responsável pela inadimplência é o desemprego, problema que se agravou no período. Além dos mais jovens que costumam enfrentar maiores dificuldades para obter ocupação remunerada, fica evidente que muitos chefes de família também passam por apuros, assim como os mais velhos que, com frequência, cumprem o papel de arrimo de família.

A inadimplência de 2018 é influenciada pela sazonalidade, pois no início de cada ano se concentram as contas de IPTU, IPVA, matrícula e material escolar para os filhos. Outra evidência disso é que os saques dos depósitos de poupança são maiores no período.

Os atrasos de pagamento de contas são generalizados, mas os maiores vilões continuam sendo os cartões de crédito e os bancos, com 28,6% das dívidas em mora, seguindo-se as contas de água, luz e gás (19,2%), as compras a prazo no varejo, as contas de telefone e de serviços em geral.

As Regiões Sudeste (45,1%) e Nordeste (25,2%) respondem por mais de 70% dos atrasos, o que parece se explicar pela concentração populacional.

As dificuldades enfrentadas pelos devedores também aparecem em outros indicadores das famílias, como a demanda de serviços e de bens de consumo, cujo comportamento deixa a desejar. Educação financeira de qualidade nos lares e nas escolas ajudaria a evitar a inadimplência, mas nada é tão importante como o emprego.

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