Avanço tímido do setor de serviços

Crescimento entre julho e agosto é o melhor resultado para o mês desde 2011, mas não recuperou a queda entre junho e julho

O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2018 | 04h00

O crescimento de 1,2% entre julho e agosto do volume de serviços prestados é o melhor resultado para o mês desde 2011. Mas não permite prever avanço sustentável, pois não recuperou a queda de 2% notada entre junho e julho e continua no campo negativo em dois de três períodos mais dilatados de comparação: o recuo foi de 0,6% em 12 meses, até agosto, comparado aos 12 meses anteriores; e de 0,5% entre os primeiros oito meses de 2017 e de 2018. Só entre agosto de 2017 e agosto de 2018 houve alta (1,6%).

A recuperação é muito lenta, notou o gerente de Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rodrigo Lobo. Os analistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) destacam os altos e baixos dos vários segmentos de serviços.

O economista Fabio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ressalta que os investimentos respondem por mais de 90% da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e é prematuro imaginar que vão crescer antes da definição eleitoral do fim deste mês.

Entre julho e agosto, cresceu o volume de serviços profissionais, administrativos e complementares (+2,2%), transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (+3,2%) e outros serviços (+1%). Mas caíram os serviços prestados às famílias e os serviços de informação e comunicação. Entre os primeiros oito meses de 2017 e de 2018 e entre os últimos 12 meses e os 12 meses anteriores, só houve alta em transportes (+1,3% e +2,8%, respectivamente).

Maior contribuinte do Produto Interno Bruto (PIB), com participação superior a 70%, o setor de serviços depende da indústria e do comércio, cujo comportamento também oscilou bastante ao longo de 2018.

Os preços poderão influir na evolução do setor de serviços no fim deste ano. Em agosto, por exemplo, a queda dos preços das passagens aéreas provocou forte elevação da demanda.

Os serviços prestados às famílias cresceram 5% em relação a agosto de 2017, puxados pelo aumento da receita de hotéis, serviços de bufê e comida preparada. Em termos regionais, 21 dos 27 Estados registraram alta dos serviços entre julho e agosto.

Entre dezembro de 2017 e agosto de 2018 não houve crescimento do setor. Ou seja, da atividade do último trimestre dependerá o resultado anual, estimado em -0,3% pela CNC.

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