Balança comercial protege as contas externas da crise

Com saldos expressivos, a balança comercial tem tido papel essencial para assegurar o superávit das contas correntes do balanço de pagamento e deverá continuar a fazê-lo, graças ao escoamento da safra agrícola recorde

O Estado de S.Paulo

25 Maio 2017 | 03h11

As contas externas voltaram a apresentar resultados muito positivos em abril, antes, portanto, que o surgimento da atual crise política passasse a alimentar projeções sombrias sobre o comportamento da economia nos próximos meses. Mas não será surpresa se, a despeito do eventual prolongamento ou até do agravamento dos problemas que o País enfrenta, novos dados animadores surgirem nos próximos relatórios mensais do balanço de pagamentos do País elaborados pelo Banco Central (BC). Com saldos expressivos, a balança comercial tem tido papel essencial para assegurar o superávit das contas correntes do balanço de pagamento e deverá continuar a fazê-lo, graças ao escoamento da safra agrícola recorde.

Provavelmente é um fenômeno efêmero – e, para os economistas do BC, ainda sem justificativa técnica sólida – o ingresso, tanto pela via comercial como pela financeira, de US$ 3,462 bilhões nos dois dias seguintes à divulgação do conteúdo da gravação da conversa de um diretor do frigorífico JBS com o presidente da República. “É difícil definir precisamente o que está acontecendo num dia específico no mercado de câmbio”, reconheceu o chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, após anunciar esses números.

Mas os dados referentes a prazos mais longos, como o mês de abril, os quatro primeiros meses do ano e os 12 meses até abril, têm mais consistência e explicações mais fortes. O superávit em conta corrente no mês passado, de US$ 1,153 bilhão, é o maior para o mês de abril desde 2007 e o segundo resultado mensal positivo consecutivo.

A balança comercial, com saldo de US$ 6,742 bilhões no mês, foi a principal responsável pelo resultado das transações correntes em abril. A conta de serviços teve déficit de US$ 2,515 bilhões e a de renda primária, de US$ 3,227 bilhões. Já a conta financeira encerrou o mês com saldo de US$ 1,746 bilhão.

No resultado acumulado de 12 meses até abril, o saldo negativo das transações correntes alcançou US$ 19,845 bilhões, o equivalente a 1,06% do Produto Interno Bruto (PIB). Analistas do mercado financeiro projetam um resultado negativo equivalente a 1,2% do PIB para o ano. Ainda assim, o déficit poderá ser coberto com certa folga pela ingresso de investimentos diretos no País, que, nas projeções do BC, deverá somar US$ 75 bilhões no ano.

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