Balanço menos pessimista do emprego

Carta de Conjuntura do Ipea chama a atenção para transformações promissoras sobre o emprego observadas nos microdados relativos a 2017

O Estado de S.Paulo

08 Maio 2018 | 04h00

É inegável a tendência negativa dos dados mais recentes sobre o mercado de trabalho, apontando para uma elevação do nível de desemprego e para a existência de um enorme contingente de desocupados. Não obstante, a última Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) chama a atenção para transformações promissoras sobre o emprego observadas nos microdados relativos a 2017 e, em alguns casos, a fevereiro deste ano, extraídas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 

(Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O aumento da desocupação, por exemplo, foi influenciado pela expansão da força de trabalho, com o ingresso de pessoas que estavam na inatividade e querem voltar a trabalhar. 

Grande parte dos empregos gerados no ano passado está no mercado informal, mas, alerta o Ipea, o mercado de empregos com carteira assinada (formal) também registrou evolução. Entre o primeiro e o quarto trimestres de 2017, por exemplo, a redução da taxa de desocupação foi mais intensa nos grupos de trabalhadores com ensino fundamental e médio, com 18 a 24 anos e do sexo feminino.

É o caso dos trabalhadores com ensino médio incompleto, cuja taxa de desocupação caiu de 24,2% para 20,4% (-3,8 pontos porcentuais). A taxa diminuiu 3,5 pontos para jovens entre 18 e 24 anos e 2,6 pontos para mulheres.

Outro dado positivo sobre o mercado de trabalho é a recuperação do rendimento médio real habitualmente recebido, que avançou 1,8% real no trimestre dezembro de 2017 a fevereiro de 2018. “A expansão dos rendimentos ao longo dos últimos meses é, de certo modo, surpreendente”, afirmam os especialistas do Ipea. “Isso porque ainda há um excesso de mão de obra disponível na economia, apesar do crescimento da ocupação nos últimos meses”.

A Carta de Conjuntura ainda prevê melhora no ambiente para a ocupação e para a renda, mas admite que isso depende do crescimento, o qual, por sua vez, depende da retomada do consumo das famílias.

Os níveis ainda altos de desemprego se devem, em parte, à parcela crescente de pessoas desocupadas há mais de dois anos ou em desalento (sem ânimo para procurar emprego ou mesmo para trabalhar). E desalento, diz o Ipea, indica mudança de comportamento pessoal.

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