Bancos oficiais ampliam seu papel

O panorama do crédito do sistema financeiro brasileiro apresentou, em março, algumas modificações importantes: o volume cresceu em relação ao mês anterior, quando estagnara, mas com participação maior dos bancos públicos. Verifica-se, ainda, que a taxa de juros e o spread diminuíram ligeiramente e que o crédito a pessoas físicas (PFs) apresentou alguns sinais de melhora.O volume total de crédito, de R$ 1,241 trilhão, cresceu 1% e representou 42,5% do PIB estimado. Os recursos livres (que compõem 70,5% dos empréstimos do sistema financeiro) participam com 29,9% do PIB e os recursos direcionados, com 12,5%. Se considerarmos o crédito do ponto de vista dos supridores, verifica-se que as instituições financeiras públicas têm uma participação de 16% em relação ao PIB (ante 12,1% um ano atrás); as instituições privadas nacionais entram com 17,8% (16,7% um ano atrás); e as instituições estrangeiras detêm 8,7%, ante 7,7% em março de 2008. Fica claro, portanto, que os bancos públicos estão tendo uma participação crescente no suprimento de crédito nesse período de dificuldades, e o BNDES se destaca nesse quadro.E em razão da atividade econômica, verifica-se que o maior aumento de crédito foi para o setor habitacional (2,6%, em março, sobre o mês anterior) e para as PFs (1,2%), excluídos daí os créditos para habitação, que vão essencialmente para o setor privado.As concessões de crédito são as operações que melhor permitem avaliar a evolução da política creditícia. Em março aumentaram 28,8%, no caso das pessoas jurídicas (PJs), e 21,5%, no caso das pessoas físicas.Esse aumento foi certamente estimulado pela redução das taxas de juros, que para as empresas passou de 30,9% para 28,9%, em um mês, e para as famílias, de 52,6% para 50,1%, embora seja uma taxa de juros ainda muito elevada. Paralelamente, notou-se uma redução do spread de 1 ponto porcentual (p.p.) para as PJs e de 1,7 p.p. para as PFs. Não há dúvida de que o spread médio de 28,5 p.p. ainda tem um peso muito elevado, que tem de ser reduzido. Naturalmente, os bancos mantêm a justificativa do crescimento da inadimplência, que passou, em um mês, de 2,3% para 2,6% para as PJs, mas baixou de 8,4% para 8,3% para as PFs.Tudo indica que a evolução positiva registrada em março se está consolidando em abril, o que deverá ajudar as empresas a crescer e as famílias a consumir mais.

, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2009 | 00h00

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