Bancos públicos atendem o governo

Nas últimas semanas o governo fez grandes elogios ao papel dos bancos públicos na distribuição do crédito. O relatório do Banco Central (BC) sobre as operações de crédito em julho dá a medida da influência desses bancos na distribuição dos empréstimos na economia.O documento tem um parágrafo que merece ser reproduzido: "A participação dos bancos públicos na carteira total do sistema financeiro manteve-se em elevação, subindo de 38,6%, em junho, para 39,9%, em julho. O saldo das carteiras dessas instituições atingiu R$ 523,7 bilhões, com incremento de 6,2% no mês e 40,3% em 12 meses. Em sentido contrário, as participações relativas das instituições privadas nacionais e estrangeiras declinaram de 41,5% para 40,9% e de 19,9% para 19,2% respectivamente." Verifica-se, pois, que o aumento da participação dos bancos públicos foi anulado pela redução da participação das instituições privadas.Admitindo que o crédito, em julho, representou 45% do PIB estimado, constata-se que os bancos públicos aumentaram sua participação de 16,9%, em junho, para 18%, em julho, e a das instituições privadas recuou de 26,9% para 26,4%.No entanto, parece que esse aumento da atuação dos bancos públicos foi, sobretudo, em favor do setor público... De fato, em julho houve aumento de 297,2% dos empréstimos para o governo federal, de 5,1% para os governos regionais (em comparação com junho), e de apenas 1% para o setor privado - sendo 4,3% para a habitação, 2% para o comércio e 1,6% para as pessoas físicas. Enquanto isso, os empréstimos para a indústria caíam 0,1% e, para o setor rural, 0,4%. Um tipo de atuação que visa mais ao consumo do que à produção...Tudo indica que nos empréstimos dos bancos oficiais ao governo federal - que passaram de R$ 8,4 bilhões, em junho, para R$ 33,1 bilhões, em julho - pesou muito o que foi feito para a Petrobrás pelo BNDES, cujas operações diretas aumentaram 22% em julho.É pena que o BC não forneça as taxas de juros cobradas pelos bancos públicos e as cobradas pelos bancos privados - taxas que em todo o sistema recuaram, em média, de 36,6% para 36% ao ano.É interessante que a inadimplência tenha ficado em 3,5%, no caso dos bancos públicos, ante 2,3%, nos bancos privados nacionais, que fizeram maiores provisões do que os públicos. O que se percebe é que os bancos públicos estão mobilizados para a campanha eleitoral do governo.

, O Estadao de S.Paulo

27 de agosto de 2009 | 00h00

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