BC confirma retomada lenta

Com solavancos, a atividade econômica se distancia do atoleiro de 2015 e 2016

O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2018 | 03h00

Produção e consumo perderam impulso no primeiro bimestre e a criação de empregos emperrou, mas a economia continuou operando em patamar mais elevado que o do ano anterior, segundo os principais indicadores divulgados até agora. Se os estragos causados pelo jogo político forem moderados, 2018 será mais um ano de retomada, com Produto Interno Bruto (PIB) entre 2,5% e 3% maior que o de 2017. O menor vigor da recuperação, já denunciado por outros sinalizadores, foi apontado também pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na segunda-feira passada. De janeiro para fevereiro, o avanço foi de apenas 0,09%, mas o resultado ainda foi 0,66% melhor que o registrado um ano antes.

Com solavancos e velocidade variável, a atividade se distancia do atoleiro de 2015 e 2016, ou mesmo de uma crise iniciada há mais tempo, no caso da indústria. No primeiro bimestre deste ano, o IBC-Br ficou 1,80% acima do nível de janeiro-fevereiro de 2017. Em 12 meses, o crescimento chegou a 1,32%. O ritmo de recuperação é ainda moderado, mas a tendência de afastamento da crise parece bem definida.

As estimativas do BC são consideradas uma antecipação, embora apenas aproximada, dos números do Produto Interno Bruto (PIB), publicados a cada três meses pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dados da indústria e do comércio já haviam mostrado menor dinamismo. Em fevereiro, as vendas no varejo restrito foram 0,2% inferiores às de janeiro. As do varejo ampliado – com inclusão dos segmentos de materiais de construção, veículos e componentes – tiveram alta mensal de 0,1%. As duas medidas, no entanto, apontaram volume vendido maior que o de fevereiro do ano passado: 1,2% no primeiro caso, 5,2% no segundo.

A produção industrial de fevereiro superou por apenas 0,2% a de janeiro, mas ficou 2,8% acima da estimada um ano antes. O volume produzido em janeiro e fevereiro foi 4,3% maior que o do bimestre inicial de 2017. Além disso, houve um avanço de 3% no acumulado em 12 meses.

Já o total dos serviços prestados em vários segmentos – transportes, comunicações, atendimento a famílias, turismo, etc. – aumentou 0,2% de janeiro para fevereiro, mas permaneceu 2,2% abaixo do estimado um ano antes. Em 12 meses, houve redução de 2,4%. Os avanços da agropecuária e da indústria têm estimulado as atividades de logística, mas a demanda de outros serviços continua baixa.

As famílias têm-se mostrado mais inclinadas a retomar o consumo de bens, nesta fase inicial da reativação econômica, do que a reconstituir o consumo de serviços. A recuperação da renda real apenas começou, favorecida em grande parte pelo recuo da inflação, e as condições de emprego ainda impõem moderação e cautela.

Depois de ter caído até 11,8% no trimestre final de 2017, o desemprego subiu para 12,6% nos três meses terminados em fevereiro, segundo o IBGE. Embora o nível tenha sido inferior ao de um ano antes (13,2%), a desocupação ainda é alta e boa parte das contratações tem ocorrido de forma precária, sem carteira assinada.

A melhor notícia dessa área tem sido a ampliação, embora lenta, do emprego em vários segmentos industriais. A isso se acrescenta o esgotamento da capacidade ociosa, em cerca de metade da indústria. Isso abre espaço para maiores investimentos em capacidade produtiva, isto é, em ampliação e modernização de máquinas, equipamentos e, mais tarde, de instalações industriais.

Economistas do setor financeiro e das principais consultorias continuam projetando para este ano um crescimento econômico maior que o do ano passado, quando o PIB se expandiu 1%. As estimativas, no entanto, têm ficado menos otimistas. Para 2018, a mediana das projeções coletadas pelo BC, na pesquisa Focus, em quatro semanas diminuiu de 2,83% para 2,76%. Para 2018 foi mantida a aposta numa expansão de 3%. Com inflação contida, pelo menos mais um corte dos juros pelo BC é tão exequível quanto desejável.

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