BC mais otimista nas contas externas

É normal analisar as contas externas do Brasil tentando saber em que medida a crise mundial nelas se reflete. Mas merecem atenção especial as previsões do Banco Central (BC), que as revisa regularmente em razão dos resultados já obtidos.É incontestável o reflexo da situação internacional sobre as contas externas. O comércio exterior é o que mais o sente; o efeito sobre a conta de serviços é muito importante; e a conta de capitais se mostra deveras sensível à crise.No que se refere à balança comercial, registra-se uma queda sensível das exportações nos cinco primeiros meses do ano (22%), compensada pela queda maior das importações (27%). Levando em conta a evolução mensal da balança comercial, o BC elevou de US$ 16 bilhões para US$ 20 bilhões sua previsão de superávit comercial deste ano.O item serviços e rendas é uma das grandes despesas no balanço de pagamentos, extremamente sensível à conjuntura externa. Nos cinco primeiros meses do ano apresentou saldo negativo de US$ 17,2 bilhões - inferior em 28,6% ao do mesmo período de 2008. O déficit no subitem rendas representa quase 50% do déficit total e ficou muito próximo do resultado do mesmo período do ano passado, por ser vinculado ao comércio exterior ou às viagens turísticas, que dependem particularmente da taxa cambial.Mas é nas rendas que se constata a maior queda de déficit nos cinco primeiros meses (37,7%), em razão da redução (de 49,8%) na remessa dos lucros e dividendos, dado o contexto econômico desfavorável. Todavia, o BC aumentou sua previsão de déficit, de US$ 15 bilhões para US$ 17 bilhões, levando em conta que o fluxo de investimentos estrangeiros tem sido maior do que se pensava inicialmente, o que elevará a remessa de lucros.De fato, os investimentos diretos estrangeiros apresentaram saldo líquido de US$ 11,2 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, ante US$ 13,8 bilhões no mesmo período de 2008, mas dirigidos mais para a produção do que para as instituições financeiras. Além disso, voltaram a se verificar, nos últimos meses, ingressos de capitais na Bolsa e compras de títulos de renda fixa, aumentando as remessas.O BC estima que o déficit das transações correntes será menor do que se previa, porquanto as entradas de capitais poderão aumentar, como indica a rolagem da dívida, que nos primeiros 24 dias do mês ficou em 340%...

, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2009 | 00h00

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