BC manterá sua política monetária

A Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 10 e 11 de março justifica plenamente a decisão das autoridades monetárias de reduzir a taxa Selic de 12,75% para 11,25%. Por outro lado, a análise feita pelos membros do Copom permite prever que o ciclo de flexibilização da política monetária continuará nos próximos meses.A análise se mostra condizente com os princípios que foram defendidos no período anterior, e que o Banco Central (BC) demorou a aplicar. Sem dúvida, a divulgação dos dados do PIB do quarto trimestre do ano passado, na véspera do final da reunião, não podia mais deixar dúvidas sobre a forte desaceleração da economia. A queda da demanda interna levou a uma diminuição ainda maior da produção industrial, já afetada pela forte retração da demanda externa, e ao desemprego, que reduziu ainda mais a demanda doméstica.Nesse quadro, todos os perigos antes invocados pelo Copom desapareceram: pressões inflacionárias, com risco de um IPCA acima da meta central de 4,5%; descasamento entre a demanda e a oferta; repasse da desvalorização cambial para os preços. A Ata do Copom é clara: "Há sinais de que depois de um longo período de expansão, a demanda doméstica teria passado a exercer influência contracionista sobre a atividade econômica."O quadro atual não deixa entrever uma mudança na situação. Mas o Copom, na sua liturgia costumeira,repete a frase de sempre: "A despeito de haver margem para um processo de flexibilização, a política monetária deve manter postura cautelosa, visando a assegurar a convergência para a trajetória de metas." O que nos parece mais importante é que as autoridades monetárias reconheceram que existe margem para a flexibilização, o que o mercado futuro sancionou, ontem, com uma queda dos juros.Há, porém, no texto, três linhas que foram destacadas pelos analistas do mercado, quando ali se diz que mudanças na taxa básica de juros têm efeitos sobre a atividade e a inflação, o que o Copom levará em conta ao avaliar "o espaço para flexibilização monetária adicional".É uma referência aos efeitos de uma Selic baixa, que colocou as aplicações em caderneta de poupança como das mais rentáveis entre as de renda fixa. Não pensamos que isso possa constituir um empecilho para outra redução da Selic, sendo muito mais fácil mudar as normas das cadernetas do que renunciar à flexibilização da política monetária...

, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2009 | 00h00

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