BC otimista quanto à inflação

O Relatório de Inflação de junho, do Banco Central (BC), reserva seu último capítulo para as perspectivas da inflação medida pelo IPCA, estimando que será de 4,1%, em 2009, e de 3,9%, no próximo ano. Isso depois de uma análise de 25 páginas que examina determinantes da inflação, os riscos da política monetária e mais alguns pressupostos.O BC considera que a demanda interna continuará sendo o fator-chave para a sustentação da atividade econômica e, neste sentido, respalda a política do governo. A deterioração do mercado de trabalho foi compensada pelo avanço da massa salarial real, sustentada pela disponibilidade de crédito para as famílias e pelas empresas com mais condições para captar recursos externos.Sem dúvida a indústria, que reduziu seus estoques, não mostra vontade de investir por causa da redução das exportações e da ameaça de maiores importações, em razão da valorização cambial - o que até agora não se verificou. Enquanto isso, os preços de commodities estão reagindo, sem refletirem-se, por ora, nos preços internos.O BC acredita numa ligeira reação do investimento privado e num aumento significativo dos investimentos públicos, o que se traduziria por maior oferta de novos empregos.No seu cenário principal, o BC considera que a contração da economia mundial continuará em 2009 e que, em 2010, será possível ver sua recuperação gradual, porém sem tendência inflacionária suscetível de se refletir no Brasil. Os riscos que existem são: uma velocidade maior da atividade doméstica no quadro de uma política monetária mais flexível, uma recuperação rápida dos preços de commodities, a diminuição da aversão ao risco, um processo de desinflação nos países emergentes e, ao contrário, nos outros países, expansão do endividamento público, que no caso brasileiro não parece preocupar as autoridades monetárias. Um aumento do preço dos serviços representa outro risco.Na visão do BC, sem ruptura no balanço de pagamentos, com uma política monetária sadia e com a resistência do consumidor, em parte por causa do recuo da inflação, justifica-se um certo otimismo. Uma evolução do PIB menor do que a prevista, com queda do consumo, poderia justificar uma visão mais preocupante, para a qual o BC parece dar menor atenção, assim como à deterioração das contas públicas num período eleitoral, com mudança na presidência do BC, que teve papel relevante na recuperação da economia brasileira.

, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

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