Bimestre depressivo para a indústria

Entre os primeiros bimestres de 2015 e de 2016, a produção industrial caiu 14,2% em São Paulo, 15,2% em Minas Gerais, 22,5% no Espírito Santo e 28% em Pernambuco e no Amazonas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesses Estados, que representam cerca de 40% da produção industrial do País, a queda superou a média brasileira (11,8%). As agruras da indústria também foram expressivas em fevereiro, com queda de 2,5% em relação a janeiro e de 9,8% comparativamente a fevereiro do ano passado.

O Estado de S. Paulo

14 Abril 2016 | 05h27

Entre 15 Estados pesquisados, 12 mostraram recuo na comparação entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016 e entre os primeiros bimestres dos dois anos. Quedas superiores a 10% foram frequentes, mas os números mostram a deterioração dos indicadores. No acumulado de 12 meses até fevereiro, por exemplo, em cinco Estados a queda superou 10% (Amazonas, Ceará, Pernambuco, São Paulo e Rio Grandes do Sul), enquanto na comparação entre os primeiros bimestres dos dois anos a queda atingiu dois dígitos em seis Estados (Amazonas, Ceará, Pernambuco, Minas, São Paulo e Paraná).

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) chamou a atenção para o recuo generalizado do setor secundário, com destaque para a indústria paulista. Esta, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) relativa a 2014, pesa cerca de 21% na indústria nacional.

Em São Paulo, segundo o Iedi, houve queda em 64% dos setores industriais e em Minas, em 77% deles. Os piores números foram registrados em veículos automotores e máquinas e equipamentos, repercutindo em produtos de metal, borracha e plástico e minerais não metálicos. Outra determinante da queda é a postergação das decisões de investimento, em especial em equipamentos de transporte como tratores para reboques e semirreboques, caminhões e veículos para transporte de mercadorias.

Os recuos também foram substanciais em bens intermediários e de consumo, tanto duráveis quanto não duráveis, inclusive medicamentos. A alta real de preços de medicamentos (em parte, via redução dos descontos para remédios de uso contínuo) deverá provocar novos impactos negativos na produção do setor.

A indústria ilustra a gravidade da crise. Mesmo que a inflação ceda, a correção de rendas do INSS e de salários parece insuficiente para que os consumidores recuperem poder aquisitivo e retomem as compras.

Mais conteúdo sobre:
EconomiaEditorial

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.