BNDES retoma seu papel

Anunciada há pouco pela presidente da instituição, Maria Silvia Bastos Marques, a nova política não vai mais privilegiar segmentos ou grupos econômicos selecionados, como ocorria na gestão petista, mas se baseará em regras aplicáveis a todos os setores e empresas interessadas

O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2017 | 03h02

Com a maior mudança na sua política de crédito nos últimos nove anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) retoma sua função original de apoiar empreendimentos de todos os portes, em todos os setores, tendo em vista a geração de emprego e o desenvolvimento do País. Esse papel havia sido em grande parte abandonado nos últimos anos em decorrência das práticas lulopetistas, que haviam transformado o banco em grande financiador de projetos escolhidos pelo governo do PT.

Anunciada há pouco pela presidente da instituição, Maria Silvia Bastos Marques, a nova política não vai mais privilegiar segmentos ou grupos econômicos selecionados, como ocorria na gestão petista, mas se baseará em regras aplicáveis a todos os setores e empresas interessadas. É uma política que a diretoria do BNDES classifica como “horizontal”, pois não privilegia ninguém.

Além disso, diante do grave quadro econômico, caracterizado, entre outros problemas, pela escassez de financiamentos para a atividade produtiva, o banco decidiu assumir o papel, inédito, de supridor de capital de giro para as empresas nacionais, com duas linhas de crédito que totalizam R$ 13 bilhões. É uma medida essencial para assegurar a continuidade das operações de muitas empresas, de todos os portes.

A gestão anterior do BNDES foi marcada pelo recebimento de imenso volume de recursos repassados pelo Tesouro Nacional, o que lhe deu grande capacidade financeira, mas resultou em pesadas perdas aos cofres da União em razão dos subsídios embutidos em suas operações de crédito.

A concessão desse grande volume de crédito se baseou, em boa parte, no apoio à consolidação e à internacionalização de empresas selecionadas pela diretoria do banco como “campeãs nacionais”, que poderiam assegurar a liderança brasileira em alguns segmentos. Mas houve casos de supostas “campeãs” que decidiram ampliar de tal forma sua atuação internacional, gerando mais emprego e renda fora do que dentro do País, que transferiram seu comando para o exterior.

Outro setor que mereceu tratamento privilegiado do BNDES na gestão petista foi o de obras de empreiteiras brasileiras no exterior. A empresa que mais expandiu suas operações internacionais na era petista é uma das mais enroladas nas investigações conduzidas pela Operação Lava Jato.

“Estamos fazendo uma transição forte para focar no tipo de projeto, e não no setor”, disse a presidente do banco ao anunciar a nova política de crédito. A maior parte dos financiamentos com juros subsidiados – baseados na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), hoje de 7,5% ao ano, bem abaixo dos juros básicos (Selic) fixados pelo Banco Central, de 13% ao ano – será destinada a investimentos em meio ambiente, inovação e de empresas de menor porte.

Quanto ao financiamento de capital de giro, o banco oferecerá R$ 13 bilhões até o fim do ano, por meio da linha BNDES Progeren. Do total reservado para esse tipo de financiamento, R$ 5 bilhões serão oferecidos de forma direta pelo banco, sem a intermediação de agentes financeiros, o que não tinha sido feito de maneira tão ampla até agora. Outros R$ 8 bilhões serão repassados pelos agentes financeiros, como tradicionalmente ocorre com os financiamentos do BNDES. “Nesse momento, nossa ênfase em capital de giro é para preservar a atividade econômica e os empregos”, justificou Maria Silvia Marques. A disponibilidade desses recursos, hoje praticamente inexistentes no mercado, dará o fôlego de que muitas empresas carecem para continuar operando.

Também no plano interno a nova diretoria do BNDES vem promovendo mudanças, pois, como disse sua presidente há alguns meses, o tempo de que ela dispõe para apresentar resultados é muito curto. A criação da diretoria de Controladoria é uma indicação de que o acompanhamento rigoroso das operações começa dentro da própria instituição. A redução do número de superintendências busca reduzir custos e dar maior eficiência às atividades do banco.

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