Bons avanços com o Irã

O anúncio da suspensão das sanções econômicas e financeiras impostas pela União Europeia e pelos Estados Unidos ao Irã, após a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificar que a república islâmica estava cumprindo o acordo do ano passado, mostra que o caminho tomado pelo presidente Barack Obama estava certo. Pela via diplomática, foi possível chegar a uma solução que impedisse o Irã de construir bombas atômicas.

O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2016 | 02h54

Sob fortes protestos de Israel e do Partido Republicano americano, EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Rússia assinaram em julho de 2015 um importante acordo com o Irã. O governo iraniano comprometeu-se a não enriquecer urânio para a produção de armas nucleares e a aceitar inspeções completas em suas instalações. Em troca, após o cumprimento das condições do pacto, as sanções econômicas e financeiras impostas a Teerã desde o final da década de 1970 seriam progressivamente suspensas. É o que começa agora a ocorrer, depois da vistoria da AIEA.

Em cumprimento ao acordo de julho, o Irã mandou para fora do país 98% de seu urânio enriquecido e desmantelou milhares de centrífugas, além de ter desmontado seu principal reator nuclear. Em troca, terá acesso a US$ 100 bilhões em bens e ativos congelados, além de poder participar de transações financeiras. EUA e Irã também acertaram uma troca de prisioneiros, o que permitiu a libertação de Jason Rezaian, repórter do jornal Washington Post, e de mais quatro americanos detidos no Irã, além de sete iranianos presos nos EUA.

Trata-se de um importante passo, que ultrapassa a questão das bombas atômicas. O acordo de julho de 2015, agora implementado, pode significar uma nova etapa da relação do Irã com o mundo, em especial um reequilíbrio das relações no Oriente Médio. Essa foi uma das maiores vitórias diplomáticas do presidente Barack Obama e merece ser aplaudida por evitar uma espiral que poderia levar ao conflito.

No entanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido. E Barack Obama mostra ser consciente das complexidades que existem no relacionamento entre os dois países. Logo após a retirada das sanções econômicas e da troca de prisioneiros, o governo americano anunciou novas restrições a seis empresas e cinco membros do regime iraniano. Segundo comunicado oficial, eles infringiram normas estabelecidas pelo Conselho de Segurança da ONU, ao trabalharem na obtenção de peças para o programa balístico iraniano.

Ainda que de outra ordem e com muito menor impacto que as sanções econômicas levantadas recentemente, as novas restrições indicam que os avanços nas tratativas se referem apenas ao programa nuclear iraniano e que os EUA não tolerarão violações relativas ao programa de mísseis do Irã. Também permanecem algumas sanções destinadas a coibir abuso de direitos humanos e atividades terroristas.

“Esse programa balístico oferece uma ameaça significativa à segurança global e regional e continuará sujeito a sanções internacionais”, disse o subsecretário para terrorismo e inteligência financeira do Departamento do Tesouro americano, Adam J. Szubin. “Deixamos claro que os Estados Unidos pressionarão com veemência a imposição de sanções contra as atividades do Irã que estejam fora do Plano de Ação Conjunto, incluindo as relacionadas com seu apoio ao terrorismo, à desestabilização regional, aos abusos de direitos humanos e ao programa de mísseis”, afirmou Szubin.

Os fatos mostram que, a despeito das profundas desconfianças manifestadas por muitos dos opositores ao acordo, até agora o Irã cumpriu correta e integralmente as restrições impostas a seu programa nuclear. E isso é uma boa notícia. Comumente mais aplaudido por sua retórica do que por suas ações, o presidente Barack Obama pode dessa vez receber com razão os louros por sua diplomacia junto ao Irã. Até agora, tem dado certo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.