Bons sinais da dívida federal em outubro

Estoque caiu 0,44% no mês passado, quando atingiu R$ 3,763 trilhões

O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2018 | 04h00

Nem as incertezas do quadro político interno no mês da eleição presidencial nem os fatores que elevaram a percepção de risco nos países emergentes – como turbulências no cenário internacional decorrentes de dificuldades enfrentadas, entre outros, pelo México, pela China e pela Europa – foram suficientes para reduzir o interesse de investidores estrangeiros por títulos públicos brasileiro em outubro. A fatia dos investidores não residentes no Brasil no estoque da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) subiu de 11,67% em setembro para 11,97% no mês passado, de acordo com o Relatório Mensal – Dívida Pública Federal, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional.

O aumento da participação dos estrangeiros nos títulos públicos brasileiro se deveu à melhora do cenário de risco dos papéis brasileiros, na avaliação do coordenador-geral de operações da dívida pública do Tesouro, Luís Felipe Vital. “À medida que a percepção de risco no mercado doméstico diminui, a tendência é haver um fluxo maior de entrada de estrangeiros.” A gradativa normalização do cenário político, com o fim das tensões que marcaram a campanha eleitoral, a formação do novo governo e a divulgação de suas principais linhas de ação tendem a melhorar essa percepção.

O relatório tem outra informação positiva sobre a dívida do governo federal. O estoque caiu 0,44% no mês passado, quando atingiu R$ 3,763 trilhões. Além disso, todos os títulos prefixados pelo Tesouro voltaram a ter taxas inferiores a 10%, o que não acontecia desde abril e maio.

É possível que os dados mais recentes sobre a situação das finanças públicas, que projetam um déficit primário – isto é, sem o cômputo do custo da dívida pública – inferior à meta fixada para este ano, tenham levado à redução da emissão de títulos em relação à programação inicial do Tesouro.

Esses aspectos positivos da evolução da dívida pública são, porém, de curta duração. No acumulado do ano, por exemplo, a dívida pública federal registra aumento de R$ 205,5 bilhões. É um resultado menor do que o déficit nominal de R$ 350 bilhões no período, mas essa diferença pode estar sendo coberta por operações compromissadas. Quando computadas também essas operações, tem-se a dívida bruta do governo geral, que continua a crescer – e a preocupar.

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