Brasil avança mais na abertura do mercado

Segundo a OMC, em oito meses o governo tomou nove medidas, entre redução de tarifa e promoção do fluxo comercial

O Estado de S.Paulo

09 Julho 2017 | 03h00

O Brasil começa a reverter a imagem de um dos países mais protecionistas do mundo que manteve por muito tempo. Informe da Organização Mundial do Comércio (OMC) destaca que, entre as grandes economias globais, o País foi o que mais adotou medidas para desobstruir o comércio internacional entre outubro de 2016 e maio deste ano. Este é um aspecto pouco divulgado da política econômica em vigor, desde o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República, e direcionada para corrigir notórias distorções que se acentuaram nos governos petistas, incluindo aquelas que acabaram por isolar o País das cadeias globais de produção, em prejuízo do crescimento sustentável.

Segundo a OMC, foram nove as medidas tomadas pelo governo brasileiro em oito meses para reduzir tarifas de importação e facilitar o fluxo comercial com o exterior e quatro outras para eliminar os entraves burocráticos. Essa nova postura do Brasil contrasta com os sinais de recrudescimento do protecionismo em escala global. A OMC contabilizou 42 barreiras impostas no mundo ao livre intercâmbio no período considerado, uma média de seis por mês, um pouco acima da tendência observada entre 2009 e 2015.

A posse de Donald Trump na presidência dos EUA em janeiro pode ter algo a ver com isso. Seja como for, o Brasil dá uma demonstração de seriedade e de boa vontade, que vem reforçar os esforços para, em conjunto com seus parceiros do Mercosul – ou isoladamente, se não houver alternativa –, fazer prosperar as negociações do acordo de livre-comércio com a União Europeia (UE) e, em paralelo, com o Reino Unido, além de outros que vêm sendo negociados.

Com aumento de 19,3% das exportações no primeiro semestre deste ano, em comparação com janeiro a junho de 2016, mais do dobro do avanço das importações (7,3%) no período considerado, o momento é favorável à abertura comercial, que, ao que se espera, venha a se aprofundar em futuro próximo.

Mais que isso, o que se observa é o reconhecimento, pelo governo, do fato de que um mercado fechado gera ineficiência e inibe a competitividade da produção nacional, principalmente no que se refere à indústria, que não pode permanecer voltada apenas para o mercado interno. Até por uma questão de sobrevivência, ela precisa exportar mais.

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