Brasil importa mais e estimula comércio mundial

O crescimento das importações sinaliza recuperação econômica

O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2017 | 03h07

O Brasil, que vinha puxando para baixo a taxa média de participação dos países emergentes no comércio global nos últimos anos, agora atua em sentido contrário, segundo relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC) relativo ao primeiro semestre. A mudança do papel do Brasil no desempenho dos países em desenvolvimento no comércio mundial se deve basicamente ao aumento de 2,6% das importações do País de janeiro a junho de 2017, o que contrasta com a queda de 11,9% em todo o ano de 2016 em relação ao ano precedente. O crescimento das importações sinaliza recuperação econômica. Mas, enquanto o Brasil importa e exporta mais, o comércio e o PIB do conjunto da América do Sul “continuarão frágeis”.

A OMC não deixa de notar a influência da taxa de câmbio sobre a evolução da balança comercial brasileira. Entre julho de 2014 e janeiro de 2016, o real se desvalorizou 34%. Desde o início do ano passado, a moeda brasileira se apreciou 28% em relação ao dólar. Isso tornou mais acessíveis as importações, cujo aumento reflete também o aquecimento da economia.

A taxa de crescimento das exportações no primeiro semestre deste ano (1,7%) foi bem menor que a registrada em 2016 (3,3%), mas isso não afetou negativamente a conta de comércio. As vendas externas brasileiras foram favorecidas pela alta dos preços de algumas commodities e, além disso, em muitos casos os exportadores procuraram ganhar em volume o que poderiam perder com uma eventual queda de preços. O fato é que o saldo da balança comercial em 2017 pode chegar a US$ 60 bilhões, ultrapassando a estimativa anterior de US$ 55 bilhões.

As condições gerais do mercado internacional também melhoraram sensivelmente. O comércio mundial, que teve crescimento de 1,3% em 2016, deve crescer 3,6% no ano em curso, segundo as projeções da OMC. A organização adverte, porém, que dificilmente essa aceleração se manterá em 2018, tanto em função da retórica protecionista do presidente dos EUA, Donald Trump, que já vem se convertendo em fatos, como do ritmo menos intenso do crescimento da China.

De qualquer forma, com a expansão prevista do comércio global em 2017, os países emergentes devem superar os industrializados em termos de volume transacionado internacionalmente pela primeira vez desde 2013.

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