Brasileiros de volta ao Brasil

O Ministério de Relações Exteriores calcula que vivem fora do País cerca de 2,5 milhões de brasileiros. O fluxo da emigração, causada principalmente pela busca de melhores empregos e mais conforto, contudo, se tem invertido ultimamente: a crise financeira internacional, em contraponto à estabilidade econômica e ao pleno emprego dentro de nossas fronteiras, trouxe de volta entre 300 mil e 400 mil cidadãos nacionais que moravam no Exterior, no período de 2007 a 2012. Conforme dados divulgados pelo Itamaraty, a maioria dos que voltaram estava no Japão, na Espanha, em Portugal, na França, nos Estados Unidos e no Paraguai.

O Estado de S.Paulo

06 Abril 2013 | 02h08

O Itamaraty advertiu não ser possível dar um número exato desse êxodo ao contrário, porque um grande contingente dos expatriados é de clandestinos perante as autoridades dos outros países.

A exceção é o Japão, cujo governo cadastra todos os imigrantes. Em 2007, havia 313 mil brasileiros em território japonês e este total caiu para 193 mil no ano passado - 120 mil a menos, 38,3% do total. O que atraiu esses trabalhadores foi o fato de a economia nacional ter fechado o ano de 2012 com a menor taxa de desemprego da história - 4,6%. Apesar de ter registrado uma desocupação proporcionalmente apenas um pouco mais elevada do que a nossa, ao chegar aos 5% o Japão atingiu a taxa mais alta desde o fim da 2.ª Guerra Mundial. A recessão japonesa resulta do fato de 85% de sua produção industrial ser dirigida ao mercado interno e a elevação progressiva da idade média da população leva à redução do consumo de produtos e, consequentemente, de pessoal para produzi-los. Os sem-teto, uma raridade no passado do milagre econômico nipônico, passaram a ser um problema: as autoridades calculam que moram nas ruas de suas cidades cerca de 20 mil indigentes. Além da recessão, um fenômeno natural - o tsunami que invadiu o litoral do Nordeste do Japão - e a catástrofe de vazamentos nucleares ocorridos em março de 2011 levaram muitos brasileiros a voltarem para a terra natal.

Já o fantasma do desemprego é o grande causador do êxodo ao contrário de uma grande parcela de brasileiros que vivem nos 17 países da zona do euro. Em fevereiro de 2012, o índice já era mais que preocupante, assustador: 10,9%, mais do que o dobro do que a taxa de desocupação entre nós. E, ao longo do ano, a situação só se agravou: o índice de 12%, alcançado em fevereiro passado, revela a dura realidade de 19 milhões de europeus sem trabalho.

Evidentemente, essa dificuldade atinge, antes de todos, trabalhadores estrangeiros. Com 26,3% de desemprego em dezembro de 2012, a Espanha, destino de muitos brasileiros, por pouco não se igualou à recordista Grécia, com 26,4%. Em Portugal, a taxa é de 17,5%, ante 14,8% em 2011. Na França, destino de muitos emigrantes brasileiros no passado, a desocupação chegou a 10,7% da mão de obra em janeiro último.

Apesar de ter registrado em 2011 taxa de 9%, semelhante à francesa, a maior economia do planeta criou empregos suficientes no ano passado para reeleger o presidente democrata Barack Obama. Ainda assim, muitos dos brasileiros que viviam nos Estados Unidos voltaram para a terra natal entre 2007 e 2012, de acordo com o Itamaraty.

O refluxo de brasileiros de volta do Paraguai, que teve taxa de desemprego de 7% em 2012, também foi considerado digno de nota pela diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, Luiza Lopes da Silva. Segundo a diplomata, "no momento em que o emigrante volta o problema não acaba. O retorno não é fácil porque os caminhos que ele pode percorrer (para se readaptar à vida no Brasil) não são divulgados". Mas, com pleno emprego e carência de mão de obra especializada no País, é de esperar que uma grande parcela dos que voltaram - ao tomarem conhecimento da melhora da situação da economia brasileira - não se sinta tentada a emigrar de novo. Afinal, não há perspectiva de uma alteração radical neste cenário que provocou a volta dos brasileiros ao Brasil.

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