Caem as exportações de manufaturados

Exportações de produtos industrializados caíram muito nos primeiros três trimestres do ano, participando com apenas 35% das vendas ao exterior

O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2018 | 04h00

As exportações de produtos industrializados caíram muito nos primeiros três trimestres do ano, participando com apenas 35% das vendas ao exterior, menor porcentual desde 1980, segundo o Indicador de Comércio Exterior – Icomex da Fundação Getúlio Vargas e do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre).

O Icomex exclui dos cálculos as exportações e as importações de plataformas de petróleo, cujo valor expressivo pode distorcer as comparações. Pelos números do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), o peso dos industrializados foi de 48,8% das exportações nos primeiros nove meses do ano e dos manufaturados, de 36,2%.

O enfraquecimento das vendas de manufaturados é sinal de declínio da competitividade do setor secundário, que é um grande empregador e paga salários superiores aos do comércio e dos serviços em geral.

Segundo o Icomex, as perdas de exportação de manufaturados não chegam a afetar as tendências da balança comercial, superavitária devido à alta das exportações de commodities. Não há, portanto, riscos para o cenário externo em 2018. O risco de uma piora mais acentuada do superávit comercial fica para 2019, caso se acirre a guerra comercial movida pelos Estados Unidos em escala global.

Entre os primeiros três trimestres de 2017 e de 2018, a participação das commodities nas exportações foi crescente, mas 60% do aumento decorreu de apenas dois itens: soja em grão e petróleo. O comércio exterior deixou a desejar em setembro: comparativamente a igual mês de 2017, o volume exportado caiu 3,5% e o importado caiu 5,2%. A desvalorização do real foi pouco aproveitada pelos exportadores: os preços dos importados subiram mais do que os dos exportados.

O Icomex afasta a suposição de que houve um aumento significativo das importações de bens de capital. Sem as plataformas, a alta das compras de bens de capital entre 2017 e 2018 cai de 66,9% para 13,5%.

O estudo enfatiza o grau de dependência do País das exportações de commodities. Não se trata de um fato ruim, dado o papel destacado do agronegócio na economia brasileira e seu alto grau de competitividade. O que preocupa é a perda de posição da indústria brasileira. Ou seja, ao contrário do agronegócio, a indústria sofre mais com a alta tributação e a logística deficiente do País.

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