Cai o risco Brasil medido pelo CDS

O risco Brasil medido pelos credit default swaps (CDS, espécie de seguro contra a desvalorização dos papéis brasileiros) vem oscilando na faixa dos 180 pontos, nível inferior ao observado antes do agravamento dos problemas políticos, em maio. É mais um sinal de vitalidade da economia.

O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2017 | 03h06

O CDS é uma das principais medidas da confiança dos investidores nos países, ajudando a determinar o custo de captação de recursos externos. Os aplicadores globais observam, além do custo do CDS, o prêmio de risco do EMBI+ (Emerging Market Bonds Index, do JPMorgan, que mede o quanto um país paga em média acima da taxa do Tesouro norte-americano) e as notas dadas pelas agências de classificação de risco.

Desde o agravamento do quadro fiscal, as notas brasileiras têm sido baixas e poderão piorar mais, segundo agências de classificação de risco. Mas tanto o CDS como o EMBI+ mostram que o pior parece estar ficando para trás, dada a confiança na atuação do Ministério da Fazenda e do Banco Central. No final do governo Dilma Rousseff, o custo dos CDS havia passado dos 500 pontos e se mantinha na casa dos 260 pontos há um ano.

Com a diminuição do risco, têm sido mais fáceis as colocações de bônus e a tomada de empréstimos no mercado global. Entre janeiro e setembro, companhias brasileiras captaram no exterior quase o mesmo valor captado em igual período de 2016, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). As últimas emissões internacionais foram feitas com taxas de retorno entre 3,73% e 6% ao ano, com demanda bem superior à oferta.

São esperadas novas emissões de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões até dezembro. As emissões brasileiras ainda oferecem bom rendimento comparativamente às de países desenvolvidos e emergentes, embora os patamares de risco do País sejam inferiores, por exemplo, aos da Turquia e da Argentina.

O risco Brasil caiu, mas não se deve ignorar a ameaça de novos problemas. Em fase eleitoral, como em 2018, não são raras as turbulências políticas e econômicas. Há, ainda, incertezas quanto à economia norte-americana e o juro básico do Fed deve subir. Ante o desequilíbrio fiscal, uma reforma da Previdência minimamente razoável reduziria os custos de captação do governo e das empresas brasileiras.

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